Domingo, Abril 05, 2009
Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009
Eis o que sou. Um corpo sentado no chão da praça de uma grande cidade. Olhos fechados que segregam os estímulos, olhos que se abrem para captar a essência dos momentos. Membros que se articulam para medir a luz em simultâneo com a escolha do enquadramento final… um com o poder de fazer sobressair as raízes daquele lugar. O chão, as pessoas que se movimentam a passos mais ou menos rápidos à minha volta e que mais ou menos dão pela minha presença, o Sol que me aquece, a certeza de que estás na outra ponta da rua a sentir o mesmo, a verdade absoluta de que sou real e que há um sentido.Agradeço os dias repletos da arte que grita para ser vista; recordo as conversas que agitaram a matéria para a/me transformar em algo melhor; reflicto sobre o que me sou. Concluo que afinal ainda aqui estou e que é preciso um esforço imenso para manter este sentido ao voltar a “casa”. E para quando uma casa?
Enfim… estes últimos dias deram-me mais uma.
Obrigada Madrid.
Quarta-feira, Janeiro 07, 2009
Pelo menos consigo imaginar exactamente onde queria estar neste momento. Não que isso resolvesse alguma coisa, mas pelo menos aliviava este cansaço existencial. Momentaneamente. Para logo de seguida voltar a culpa, o desânimo e mais não sei o quê que me corrói. Mas neste momento, nem isso.
É quase meia-noite e as únicas palavras que fazem sentido são, mais uma vez:
(…)
Estou só, só como ninguém ainda esteve,
Oco dentro de mim sem depois nem antes.
(Álvaro de Campos)
Quarta-feira, Setembro 24, 2008
Quinta-feira, Setembro 11, 2008
Tendo já em consideração que temos que respeitar os outros e as suas várias formas de integridade física e psicológica, onde começa a liberdade humana?
Alguém disse uma vez:
“Agradeço aos meus pais terem sabido tomar conta do meu corpo. […]
Os pais […] transmitem apenas a cegueira necessária à sobrevivência diária.” *
Já muitas pessoas se chocaram com a repetição desta ideia, mas ela continua escrita no meu quadro de cortiça e cada vez mais presente na minha vida.
É verdade que temos responsabilidades para com as pessoas que já cuidaram de nós e que de certa forma continuam a pagar as contas da casa, mas quando essa responsabilidade nos é arremessada sob a forma de chantagem emocional em prol de um alegado “abandono” que apenas quer dizer “crescer”, começa decididamente a interferir com a liberdade humana.
O meu eu mais profundo estaria neste momento em alguma parte do mundo a investir em formação com os melhores, ou a fazer uma reportagem fotográfica para uma grande agência. Ligaria todos os dias para “casa”, claro, estaria presente quando necessário, mas passaria os dias a aprender ao sabor das oportunidades e do meu mais elevado sentido de verdade.
Tenho lutado contra esta necessidade durante anos, ou pelo menos tentando encontrar-me nos pequenos desafios da vida que vou tentando (que me deixam tentar? Que deixo que me deixem tentar?). Procuro um meio termo que me permita estar por perto e apoiar quase constantemente os que tomaram conta de mim, ou pelo menos “do meu corpo”.
Quando começo já a pensar que, perto da morte, me vou arrepender de não ter vivido a minha vida, pedem-me ainda mais cedências através de caprichos. E eu, com medo da culpa, cedo. E vou-me sentido cada vez mais um não-eu, com, paradoxalmente, cada vez mais culpa.
E quando a culpa por ter cedido e dado mais um passo atrás no caminho é superior à culpa de dizer “não”?!
E hoje, agora, o meu lugar não é aqui, não a escrever estes textos decadentes nem a chorar por culpa da culpa, quase culpando-me de querer ser eu. O meu lugar neste momento seria naquela curva quentinha, onde posso ser tudo e continuar a crescer.
Mas acredito que um dia me consiga sentir plenamente “em casa”.
* In Lições do Abismo, Daniel Sampaio
Quinta-feira, Setembro 04, 2008
Já disse aqui que todos os sentimentos místicos implicam a anulação do eu. Quem me conhece sabe que faço os possíveis e impossíveis para manter a minha individualidade em todas as situações. Então de onde vem este paradoxo da minha existência não fazer sentido sem ti? Admiti. Pronto. Pára de me torturar, consciência severa!
O par tem três partes como dizia a Satir: eu, tu e nós. E se há momentos em que o nós prevalece, porque não? Desde que as outras partes continuem a fazer crescer o eu e o tu!
Já me justifiquei o suficiente… A verdade, a essência daquilo que eu sinto, é que o eu que construí precisa daquele nível de partilha que conseguimos atingir. Precisa das noites de quarto minguante e pores-de-sol com banda sonora privilegiada. As minhas ideias estão fragmentas por falta de quem as complete. Afinal, não tínhamos já descoberto há muito tempo atrás que edificámos uma “mente sistémica”?!
E os medos?! De não ser capaz, de me prender, de cair no ridículo… Também eles me estão a abandonar a poder de uma força maior. Esta é uma batalha que enfrento todos os dias, e cada segundo vale a pena.
E um ano mais tarde. Muitos anos mais tarde. Cá estamos nós de novo.
Nunca mais é amanhã. 
Terça-feira, Agosto 19, 2008
Síndrome ou parte integrante de cada ser? Não consigo decidir.
Olho para trás e para as pessoas com quem me fui cruzando. Olho para mim. (Não será afinal a mesma coisa?)
Há algo de comum nestes encontros, algo que se vai desenvolvendo e renovando. Somos como uma garrafa de espumante. Por vezes o mundo vem abanar-nos. Uma pessoa pode facilmente criar uma entropia de ideias, a comichão de uma dúvida, a inquietude de uma emoção. Condições mais intensas tiram-nos a tampa. Precisamos de explodir pois já não é possível conter a pressão das ideias, dos sentimentos, da dor… Quem nos rodeia pode pensar que enlouquecemos mas no fundo estamos apenas em transformação, em desenvolvimento. Ressacamos da perda ou da conquista, digerimos a mudança. É tempo de calmaria. Sim. Devemos voltar a rolhar a garrafa para que as bolhas que nos impelem a lutar e a crescer não se percam na estagnação do hábito, até que nos permitamos ser abalados de novo.
Isto é viver.
Domingo, Agosto 03, 2008
Um quarto à média luz, a música certa, a temperatura adequada. O Silêncio imperturbável da noite lá fora. Estou bem. Como se nada faltasse a este projecto de vida que me sei. Sem pendentes ou incertezas urgentes, ou pelo menos não sofrendo por antecipação. Percebo que é possível sentir-me bem neste corpo que costumava carregar, neste mundo, nesta vida. Integro as minhas últimas conquistas e preparo-me com calma para as que hão-de vir. E finalmente, aceito o que construí e o que ainda tenho para trabalhar. E sinto-me bem.
Terça-feira, Julho 29, 2008
A sentir, a sonhar, a escrever.
O último ano de faculdade com todas as suas imposições e tudo o que tentava emergir dos resquícios da minha vida pessoal para me ocupar a mente, não deixaram espaço para estas 3 funções que fazem parte de mim.
Senti-me uma não-eu a tentar colocar pedaços de mim em tudo o que o meu eu (recente) e excessivamente profissional me exigia.
Hoje estou de férias. Automaticamente recupero os projectos e sonhos que construi ao longo dos anos e que, afinal, não me abandonaram. Recomecei a escrever também. A meta-análise constante da minha vivência começou a ser passível de partilha verbal. Hoje é tempo de dar palavras a este cantinho que tanto aconchego me tem dado.
Afinal não é só esta Felicidade recentemente reconquistada que causa a ausência de inspirações mais-que-frequentes. Afinal tentaram roubar-me a identidade durante 11 longos meses…
“Sim, mas ao mesmo tempo fortaleceu aquilo que precisamos para a vincar num mundo de competição e de ambição levados ao extremo
Quanto a mim estamos cada vez mais rodeados de situações que nos tentam roubar a identidade
Tornar-nos estereótipos de sociedades decadentes e que envergonham qualquer um!” Caracóis
Voltei!
Sexta-feira, Junho 06, 2008
And Nothing Else Matters!
So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters
Never opened myself this way
Life is ours, we live it our way
All these words I don't just say
And nothing else matters
Trust I seek and I find in you
Every day for us something new
Open mind for a different view
And nothing else matters
Never cared for what they do
Never cared for what they know
But I know
So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters
Never cared for what they do
Never cared for what they know
But I know
Never opened myself this way
Life is ours, we live it our way
All these words I don't just say
And nothing else matters
Trust I seek and I find in you
Every day for us something new
Open mind for a different view
And nothing else matters
Never cared for what they say
Never cared for games they play
Never cared for what they do
Never cared for what they know
And I know
So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
No nothing else matters!!!
Cx/'
Segunda-feira, Maio 26, 2008
Yesterday,
all my troubles seemed so far away
Now it looks as though they're here to stay
Oh I believe in yesterday.
Suddenly,
I'm not half the man I used to be
There's a shadow hanging over me
Oh yesterday came suddenly...
Domingo, Maio 11, 2008
Olha, e se pudéssemos ir buscar um cantinho do passado para ver como era agora? Assim só para amanhã ficar tudo na mesma. Será que o “azul-escuro” sabe diferente agora? Pelo menos a libertação cheira…
A incerteza causada pelas minhas próprias decisões não me deixa fazer aquilo que mais me faz sentir livre: jogar com as palavras hábeis, sorrisos manipuladores e regras só feitas por mim. O tempo passa, os jogadores mudam e eu vou-me sentindo intermitentemente preenchida até lançar de novo os dados.
Pela certeza de poder sentir tudo sem ter que acabar o jogo antes, prendi-me no caminho. Estou entrelaçada a ver a vida passar à minha volta. Para sair daqui e ver como é lá fora tinha que cortar as teias e uma vez que isso aconteça, não há retorno…
Ainda há uns dias chamava a isto a forma suprema de liberdade, por poder seu eu em qualquer ocasião. Pois bem, agora tocou a saudade do eu que fui.
A que saberá agora?
Sábado, Abril 26, 2008
Subitamente apercebo-me da primeira certeza de verdadeiro bem-estar nos últimos tempos. Agora sei que deixei os pendentes em casa antes de me permitir duas horas de praia. A má notícia, é que já voltei.
Segunda-feira, Março 24, 2008
Sábado, Março 22, 2008
Outono
Hoje, só por ser Outono, vou chamar-te "meu amor"
Contra as regras do que somos, vou chamar-te "meu amor"
Hoje só por ser diferente te encontrar
É tanto o fado contra nós
Mas nem por isso estamos sós
E embora fique tanto por contar
Hoje, só por ser Outono, vou...
Entre dentes, entre a fuga, vou chamar-te "meu amor"
Enquanto não se encontra forma, vou chamar-te "meu amor"
Entre gente que é demais e tão pequena para saber
Que é tanto vento a favor
Mas tão pouco o espaço para a dor
Só pode ficar tudo por contar...
Hoje, só por ser Outono, vou...
E há flores e há cores e há folhas no chão
que podem não voltar...
podes não voltar.
Mas é eterno em nós
e não vai sair...
Desce o tempo e a noite vem lembrar que as tuas mãos
também
já não são de nós para ficar
Por ser tanto quanto somos
Certo quando vemos
Calmo quando queremos
Hoje, só por ser Outono, vou...
Tiago Bettencourt
Cx/'
Sexta-feira, Março 21, 2008
É possível vislumbrar um futuro para o qual não vejo o caminho, mas sei que não é este. As palavras perdem-se no abraço rápido do tempo e não deixam revelar o que grita em silêncio nesta apatia. Sinto-me a remar sem exercer força contra a água na falsa crença de chegar a algum lugar.
A noite é mar de mudança, mas ultimamente tem sido como um lago que gelou. Posso continuar a patinar suavemente sobre a sua superfície fria e brilhante durante muito tempo. Mas sei que o meu “eu” verdadeiro deveria estar a dançar e estilhaçar o manto branco, deixar a água correr em rápidos e inundar as margens para regar as flores que crescem na Primavera. Eu deveria estar a fazer ondas, ondas de mudança.
Estagnada na espera, a sufocar no “tem que ser”, movo-me devagar pela noite desejando que o tempo passe, mas que seja leve e que traga aquela calma com entusiasmo e vontade de transformar. Um dia, talvez…
Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008
Love Me Like The World Is Ending
Há dias que não criava uma playlist que realmente me apetecesse ouvir... nada de novo, apenas as mesmas excelentes canções ouvidas até à exaustão. Hoje encontro no novo álbum do Ben, uma lufada de ar fresco!
Longe de pertencer à lista das favoritas, aqui fica esta, como uma marca que me lembra que "depois do enfado, vem a frescura" :P
Beijinhos a vocês que continuam a passar aqui em vão à procura de algo para ler.
Cx/' boa viagem :P *
Domingo, Fevereiro 17, 2008
Segunda-feira, Janeiro 14, 2008
I found some kind of Fairytale
Porque apesar de ser tarde na noite, apetece-me correr pela Rua Augusta e sentir-me apaixonada, nem que seja "só" pela vida...
Domingo, Janeiro 13, 2008
Quinta-feira, Janeiro 03, 2008
Terça-feira, Janeiro 01, 2008
Já falei disto várias vezes, a transição, o ponto de viragem que nos permite mudar-nos a nós e à nossa vida, pode acontecer quando o entendermos. Este ano, por questões pragmáticas e de preparação para a coisa, escolhi o “Revelhão”. Pinhões em vez de passas, espumante de frutos silvestres em vez do tradicional champanhe, vermelho e preto em vez de azul.
Este será um ano necessariamente diferente a achei por bem preparar-me para ele. Quanto mais não seja, porque o mundo do trabalho vem aí! Para este ano quero, preciso de locus de controlo o mais interno possível, de Ema de vez em quando, Shutterbabe e/ou Wayfarer na maior parte do tempo, nunca esquecendo a querida Ema… Para isso basta um esforço constante para meter a Ashimbar nos confins do passado. As acções, por mais simples, foram escolhidas por forma a me lembrar disso e até me chegou um grito enorme aos tímpanos logo depois das 12 (saudades da tua originalidade imprevista!).
A Resolução está escrita, as marcas foram deixadas…. Estarei aqui em 2009 para dizer que consegui e valeu a pena?
Segunda-feira, Dezembro 17, 2007
Crashing Down
These back steps are steeper to the ground
The brightest stars are falling down
I’m walking the edge, walking the tightest rope
We can be frank, reality rips on through, rolling like a hurricane
I’m over the bridge and under the rain
If everything’s falling, if everything’s changed
If I’m in the open, if I’m in the way
What am I doing here
If you’re not with me
What have I got to live for, if it’s just my own dream....
Mat Kearney
Segunda-feira, Dezembro 10, 2007
- Como estás tu?
- No meio! Precisamente a meio de tudo quando quero ter, fazer ou ser na vida. Hoje, nem as pequenas vitórias quotidianas me dão alento. Nada pode ser atingido já! Qualquer coisa que possa começar, com mais ou menos entusiasmo, só terá o seu culminar daqui a muito, muito tempo, com sorte e se o enfado não levar a melhor.
Posso continuar a ler artigos para tese, a reunir os artigos para o “artigo”, posso escrever mais uma carta, posso ir pensando nos objectivos/estatutos/formalizações de um dos muitos projectos profissionais que não passam disso, posso ir tirando mais umas fotos com todas as limitações materiais associadas, posso praticamente começar e continuar muitas coisas. Mas isso deixa-me exactamente no mesmo lugar: a meio. Eu sou um projecto de tudo e mais alguma coisa. E um projecto por si só não chega a lado nenhum! (E só na ultima frase já cometi dois erros de comunicação! Bolas, nem isso consigo evitar)
Para quando a concretização? Isto do hábito e da estabilidade não são muito o meu género! Nem sequer é saudável! Venha o elemento estranho ao sistema que ajuda a provocar a crise e cria mudança e equilibração! (Bolas que até o locus de controlo se externalizou) Então, o que posso eu fazer quando a isto? Continuar nos meus passinhos pequeninos esperando que os factores se conjuguem? Apanhar uma intoxicação alcoólica? Ah, sounds great! Parece que a Ema vai voltar, a excepção, mais ou menos induzida, à mediania! I can’t wait to feel free!
Quarta-feira, Novembro 28, 2007
Eu: (explico sucintamente a resolução da coisa)
Ele: Ah, ok! Então está tudo!
Trrriiimmm
Ele: espera só um bocadinho… (atende) sim, sim, já falei disso com a Dra. Ana, Sim, Sim, já sei, Sim… Sim. Está combinado. Sim, Sim, Siiiim! [será que me falta algum anuir em tom de frete?]
Eu: Então, elas estavam a complicar?
Ele: Mulheres, sabes como é!
I Love it! Nós os homens somos mesmo pragmáticos! :P
PS: É verdade, homem mas não completo… Falhei o jogo de hoje do Benfica (será?)
Quinta-feira, Novembro 22, 2007
Fizeram um pedido ao nosso centro de documentação, um livro de auto-ajuda, “que fale daquelas coisas que nós podemos atrair”… Dado o contexto achei importante clarificar que esse não é o âmbito da psicologia, comentário, ao que parece, surpreendente e chocante. Chego ainda a acreditar que a fnac tem uma parte na culpa, ao incluir na secção das ciências sociais e humanas, livros com flores coloridas com títulos tão apelativos como: “Seja feliz em 10 lições!”. Mencionámos superficialmente títulos com a palavra Optimismo mas devem ter soado a “demasiado trabalho!”. Anyway, também não é na nossa responsabilidade fazer aconselhamentos literários.
Durante a caminhada nocturna que me levava, apressada, para os transportes públicos que não esperam pelos lentos, recuperei o tema da necessidade de mistificar. Ora, toda esta nova vaga de “atracções” que se ouvem por aí, são actualmente da responsabilidade da Rhonda Byrne e do seu “Segredo”, que afinal não é mais do que um plágio de tudo o que já se disse na Profecia Celestina (James Redfield), livros sobre Reiki e outras abordagens milenares do mundo em termos de Energia universal da Vida. Até já Richard Bach o tinha feito no Ilusões ao “magnetizar” uma pena azul!
Depois da descodificação do Código da Vinci, achei que não podia adiar mais A Desmistificação do Segredo!
As pessoas precisam de envolver sempre em algo de muito místico, oculto, divino, superior, aquilo que fazem, sozinhas, através de mecanismos muito mais simples!! O problema aqui é que isto é muito difícil de aceitar… Acreditar que uma coisa depende de mim pesa muito mais na responsabilidade, na consciência, nas consequências, do que a crença de que há alguém, alguma coisa, a trabalhar por mim. Se não conseguir então a culpa não foi minha, não era eu que estava a mudar…. Segundo o “Segredo” só temos que acreditar, pensar várias vezes no resultado, e não precisamos de fazer absolutamente mais nada! Parece fácil! Se calhar até é só isso que temos que fazer, outras vezes há mais alguma acção da nossa parte…. Vejamos…
O Segredo falada de casos de recuperação de “doenças crónicas, depressões”, traumas físicos, doenças cancerígenas, etc… Ora, nem sei de deva explicar como OBVIAMENTE uma pessoa só pode recuperar de uma depressão se acreditar que pode viver feliz! O grande problema da depressão são os pensamentos cada vez mais negativos! Parece-me lógica esta mudança! Aliás, o que faço neste momento em terapia é exactamente “positivizar” as pessoas, salientar aquilo que já fazem bem, aquilo que já têm de bom enquanto pessoas e o que podem ainda melhorar! Claro, claro, que os terapeutas também são uma espécie de divindades mágicas para algumas pessoas… Mas no fundo, é tão simples quanto “focar no positivo”. Quanto às outras doenças, também é sabido que o optimismo é uma grande arma na recuperação, até no cancro, caso em que se costuma dizer “é metade do tratamento”! “Segredo”? Não estou a ver nenhum!
O livro dá ainda como adquiridas algumas instâncias que os investigadores ainda não confirmaram ter existido como os Jardins Suspensos da Babilónia… No entanto, isso não tem qualquer gravidade se tivermos em conta o numero de “cientificamente comprovado” que mostra logo que todos estes pseudo-cientistas não passam disso mesmo e que a autora não sabe sequer a definição de “ciência”… É que esta instituição deixava de o ser se houvesse comprovações!!! A primeira característica da ciência é estar em constante actualização!! Das primeiras cosias que se aprendem em cadeiras de epistemologia é que é estritamente proibido usar a palavra “provado” ou “comprovado”! Diz-se “evidências” ou “os resultados apontam para”… Há sempre uma janela aberta para a influência de outras variáveis, outros contextos, outros estudos que podem vir a mostrar coisas diferentes, ou mesmo o contrário. Em ciência não há verdades absolutas! Essas deixamo-las para as pessoas que já não tencionam evoluir mais e que gostam de viver seguramente enganadas! “Em ciência a verdade é provisória e a certeza probabilística!” (Duarte, desde sempre) (Ah, nota mental, quando se apresentam estudos, em “Ciência”, inclui-se a referência, senão é considerado plágio, além de que ataca uma característica funcamental desta coisa que apregoam constar no vosso livro e que é o facto de ser “verosímil e verificável”! Ou seja, a comunidade tem o DEVER de conhecer e ler o estudo referenciado, replicá-lo e chegar aos mesmos resultados, senão, estamos perante fraude, o que depois do plágio, é algo de gravemente punível!)
Não resisto em apresentar a grande “prova” destes senhores… Segundo Bob Proctor “o universo inteiro emergiu do pensamento!!!” UUUHH E eu pergunto-me “pensamento de QUEM se ainda não havia universo??” hummm, amigos, acho que faltam aqui alguns argumentos pelo meio….
O livro tem ainda uma boa lição sobre como positivar… realmente pensar nas coisas más leva a ver-nos coisas más e pensar no que não queremos não conduz a um objectivo efectivamente…. “Segredo”? Onde, onde? É preciso de falar de “atracção” e electrões pelo meio? Parece-me que não!
Sobre a atracção, gostava ainda de dar um exemplo do “nosso” livro:
“É por isso que as pessoas entram numa espiral quando entalam o dedo do pé ao sair da cama. O dia inteiro corre da mesma maneira.” O célebre “isto hoje não vai correr bem!!”
Por outro lado:
“Se começar com um dia bom e estiver num estado de espírito particularmente feliz e se não deixar que nada altere o seu humor, continuará a atrair, pela lei da atracção, mais situações e pessoas que sustentam esse sentimento feliz!”
Isto em ciência (relembro, aquilo que onde livro apregoa basear-se) chama-se expectativa ou Self-fulfilling Prophecies (ver por exemplo o trabalho de Robert K. Menton). Estudos muito simples, sobre as expectativas de professores em relação aos alunos e respectivos resultados, mostram que aquilo que esperam influência a forma como investem na sala de aula (com um simples, questionar, chamar ao quadro, castigar, elogiar) e, consequentemente os resultados. Um “bom aluno” será sempre um bom aluno enquanto um professor acreditar que sim, e o contrário (e mais frequente) acontece da mesma forma. E aqui chegamos ao ponto fulcral da questão… Quando acreditam que é possível, as pessoas MOVEM ESFORÇOS para esse objectivo, ainda que muitas vezes não se dêem conta… Perceber que o esforço depende delas é desmotivante quando devia ser visto como um bilhete rumo à liberdade, ao não precisar de entidades superiores ou instâncias energéticas para alcançar objectivos… No entanto, dada a procura sequisosa do ser humano por tudo quanto é místico, as pessoas acabam sempre por incluir mediadores fantasiados só pelo medo de admitir que têm a responsabilidade de tomar as rédeas das suas vidas… Este é o grande Segredo, a verdade que a humanidade anda a camuflar há milénios ao refugiar-se em religiões e divindades… O Ser humano tem poder e ter medo de o usar deliberadamente!
É claro que este meu texto dá mais trabalho a ler do que um livro cheio de tópicos e bonequinhos. Claro que as minhas assustadoras palavras, são-no, porque devolvem ao homem o comando das suas vidas e da sua Felicidade… Claro que é mais fácil acreditar que há uma “lei de atracção” a trabalhar POR nós…
Só gostava de poder escrever isto com mais evidências Científicas e com mais calma e ponderação… Da próxima vez que olharem para o "Segredo" (que não o-é) e para aquilo que “ele fez” por vós, SAIBAM conscientemente que foram VOCÊS que engrenaram essa mudança, com as vossas próprias forças, recursos, com a ajuda de pessoas significativas, com as vossas expectativas como motor! Saibam que a única coisa que actuou sobre vós foi talvez uma self-fulfilling prophecie que Vocês activaram ao acreditar ser possível…
Sexta-feira, Novembro 16, 2007
Segunda-feira, Novembro 12, 2007
Domingo, Novembro 11, 2007
Não sei. Falta-me um sentido, um tacto
para a vida, para o amor, para a glória...
Para que serve qualquer história,
ou qualquer facto?
Estou só, só como ninguém ainda esteve,
oco dentro de mim, sem depois nem antes.
Parece que passam sem ver-me os instantes,
mas passam sem que o seu passo seja leve.
Começo a ler, mas cansa-me o que inda não li.
Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.
O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir
é tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.
(...)
Álvaro de Campos
Sábado, Novembro 10, 2007
O que fazer quando já nada é coerente num dado momento? Quando não se consegue levar uma decisão até ao fim?
Sábado, Outubro 27, 2007
Domingo, Outubro 21, 2007
Já consegui resolver questões pendentes, estou a empurrar pessoas para que agarrem as rédeas das suas vidas e com resultados, estou a dar o meu melhor naquilo que gosto, tenho conseguido fotografar, borga já não é uma raridade tão grande e consigo dar atenção a mais pessoas do que o habitual! Weeeeeeee!
Claro que esta hiper-estimulação me está a tirar o sono, mas ando contente, who cares!? :P
Happyyyyyyy!!
Why? We exist!!! What else could I ask for?
Domingo, Outubro 14, 2007
Numa conversa demorada, em pequenos momentos que juntos se tornam grandes, na troca de acções que caracteriza o processo de Conhecer, articulamo-nos com uma forma diferente de ser, protagonizada pelo outro e, actualizamo-nos.
A pessoa que temos à frente apresenta-nos um desafio a cada gesto, a casa ideal, a cada olhar. Somos obrigados a concordar, discordar, compactuar, sorrir de volta, a responder com o nosso comportamento, como a nossa pessoa, ao que o outro nos apresenta. Facilmente se trava uma dança de passos e saberes que é única porque só é possível naquela díade. Aceitar o desafio de conhecer alguém enriquece porque nos faz ser mais arrojados ou mais comedidos, mais filosóficos ou mais pragmáticos. Em termos de conteúdo o upgrade nota-se ainda mais! Não posso deixar de aprender com alguém que me fala de cinema, de poesia, de mecânica, de tampas de esgoto, de facas de cozinha, de rolhas de cortiça, nem posso deixar de investir nessa aprendizagem se quiser continuar a comunicar com estes “especialistas”.
Se uma pessoa me faz correr pela Baixa de chapéu de chuva em riste para a molhar e se me faz jogar às escondidas no metro para fugir da mesma ameaça, então estou a redescobrir-me, a actualizar-me nessa relação.
E assim, mais uma vez, fica a frase do Professor Pina Prata, que (também ela) se vai actualizando à medida que consigo ir sendo, cada vez mais….
“Vai-se sendo pessoa num contexto de relações.”
Domingo, Outubro 07, 2007
Quando chegou à porta retirou o casaco e dobrou-o. De repente, e de forma inesperada, prostrou-se de joelhos e começou a fazer, no solo empoeirado, movimentos em semi-circulo com a palma da mão direita. Passaram-se alguns minutos sem que ninguém aparecesse. De repente, surgiu um dos habitantes da aldeia que vivia do outro lado da rua. Espantado de ver o homem naqueles preparos, encaminhou-se rapidamente na sua direcção.
- João! – chamou o vizinho, perguntando: - Passa-se alguma coisa?
O bom homem olhou para cima surpreendido e respondeu: - Meu filho, penso que perdi as minhas chaves.
- Perdeu as suas chaves? Não se preocupe que nós vamos ajudá-lo a encontrá-las – Disse o vizinho.
Não havia passado muito tempo e quase toda a aldeia estava de gatas tentando encontrar as chaves perdidas, percorrendo todos os centímetros de chão e arbustos que rodeavam a casa do João.
- João – perguntou o outro vizinho – tem a certeza que perdeu as chaves?
- Claro, meu filho, tenho a certeza – respondeu o homem.
- Bom – disse o vizinho. – E tem a certeza de que as perdeu aqui?
O homem ficou em silêncio, olhando para o caminho. Em seguida disse:
- Não, eu não as perdi aqui – e apontando para a vereda escura que levava á igreja, disse: - Eu perdia-as ali.
- Perdeu-as lá atrás no caminho? – perguntou um vizinho surpreendido. – Então desculpe-me João, mas porque procura as chaves aqui.
O João levantou-se, sorriu pacientemente, e apontando para a luz da porta da sua casa disse:
- Porque aqui há mais luz, meu filho!”
(In Educar para o Optimismo, Helena Águeda Marujo, Luís Miguel Neto e Maria de Fátima Perloiro)
Quantas e quantas vezes procuramos respostas onde sabemos que elas não estão?
Quantas e quantas vezes permanecemos sem chaves numa luta perdida, apenas por medo de abandonar o conhecido, o confortável, o “iluminado”?
Quantas vezes nos permitimos viver pela metade apenas com medo de avançar para o desconhecido?
Sexta-feira, Outubro 05, 2007
Abro a janela e esqueço mais uma vez.
“Há uma lei da natureza, mística e maravilhosa, que diz que três das coisas pelas quais mais ansiamos na vida – felicidade, liberdade e paz de espírito – são alcançadas quando as damos a outra pessoa.”
(Autor Desconhecido, Infelizmente)
(*) Referência à Amígdala, essa sim o centro das emoções e não (como insistem em dizer as pessoas ditas “apaixonadas” que ainda por cima acham que os outros são incapazes de sentir o """""mesmo"""") o coração, “mero” órgão bombeador de sangue.
Domingo, Setembro 30, 2007

Usas o palco como extensão de ti. Cantas, gritas, palmilhas aquele chão de madeira, encarnando alguém que não és tu mas que vem de ti, alguém que “ajudas a ser”. E quando aquele quadrado mágico de chão não chega, vives a vida real como uma peça de teatro, exacerbando os sentimentos, rebuscando os gestos, tocando naqueles que têm a sorte de ver passar nas suas vidas. Sem medo de rir, chorar ou defender com convicção tudo o que pensas, interpretas o papel daquilo que és, uma personagem rica e complexa, no palco da vida. Levas em ti o sonho e aqueles que contigo o partilharam. Guardas as memórias de papel e os momentos vividos no passado fantasiando com a possibilidade de te realizares no futuro.
Naquela linha ténue entre o teu palco e o meu cenário, partilhamos artes, palavras e memórias. Levamos connosco o sonho e lamentamos os que não o têm. Fazes-me rir e pões-me a chorar, com meras conversas ou com abraços apertados que do simples trazem o que de mais profundo há em nós.
És grande e sabes que não te queres habituar, embora a vida te obrigue a isso. Reinventas-te nos teus numerosos papéis e és cada vez mais.
Sê o que quiseres….
Até que um dia o pano caia.
Sexta-feira, Setembro 28, 2007
O senhor Pedro, o mesmo senhor Pedro de todos os dias, que todos os dias pergunta "o que é que vai ser menina?" e que todos os dias empilha cafés em cima do balcão, esse senhor Pedro colocou, no pires da chávena onde depositei esperanças de um bom dia, um pacote de açúcar. Esse pedaço amarelo e castanho de papel dizia: "Um dia ponho a mochila às costas e vou conhecer o mundo. Hoje é o dia."
O dito pacote continua colado no meu painel, e olho para eles todos os dias, esperando pelo momento de o tornar real.
keep on pretending...
Quarta-feira, Setembro 26, 2007
Segunda-feira, Setembro 24, 2007
Domingo, Setembro 23, 2007
A procura de uma descrição, análise ou explicação para os tempos presentes, toma hoje a forma de uma palavra… Pretending… Vagueio em indefinições fingindo saber o que estou a fazer, fingindo ter a dignidade quando há muito ela me abandonou, fingindo ser forte quando me sinto a derreter por dentro. Não posso simplesmente sentar-me à mesa com as pessoas e despejar os meus pensamentos incongruentes, dispersos, contaminados. Preciso de me encontrar no caos, de me preparar para abdicar se tiver que ser, preciso de dar-me a um rumo.
Enquanto isso não acontece, vou continuando a passear-me na Baixa da vida, por entre edifícios e multidões, de cabeça erguida e passos firmes, pretending…Sexta-feira, Setembro 21, 2007
Tatuagens
Em cada gesto perdido
Tu és igual a mim
Em cada ferida que sara
Escondida do mundo
Eu sou igual a ti
Fazes pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
Pintas o sol da cor da terra
E a lua da cor do mar
Em cada grito da alma
Eu sou igual a ti
De cada vez que um olhar
Te alucina e te prende
Tu és igual a mim
Fazes pinturas de sonhos
Pintas o sol na minha mão
E és mistura de vento e lama
Entre os luares perdidos no chão
Em cada noite sem rumo
Tu és igual a mim
De cada vez que procuro
Preciso um abrigo
Eu sou igual a ti
Faço pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
E pinto a lua da cor da terra
E o sol da cor do mar
Em cada grito afundado
Eu sou igual a ti
De cada vez que a tremura
Desata o desejo
Tu és igual a mim
Faço pinturas de sonhos
E pinto a lua na tua mão
Misturo o vento e a lama
Piso os luares perdidos no chão
Mafalda Veiga
E hoje podia ser "um pouco de céu" mas o que para sempre ficará tatuado em mim prevalece e não o consigo apagar.
Segunda-feira, Setembro 17, 2007
- a minha vida é cheia de parênteses
Pois… Quando o espaço-tempo a que chamamos “realidade” não nos permite fazer tudo o que queremos simultaneamente, nós abrimos parênteses! É que uma vez colocados, não afectam a estrutura sintáctica do parágrafo e portanto, são clandestinos, ilegais, reprováveis até.
Este carácter paralelo e não-oficial ajuda-me a ser mais um bocadinho daquilo que quero ser, salvo, claro quando se revestem de futilidade e não têm qualquer outro fruto que não o prazer do imediato.
Entre () vou sendo cada vez mais. Entre () tudo o que não é contemplado pelas possibilidades politicamente correctas, passa incólume. Os () ampliam possibilidades, por vezes incompatíveis, na minha vida. Os () normalmente não pedem satisfações.
A liberdade bate à minha porta,
tão carente de mim, pedindo abrigo.
Quero ampará-la e penso que consigo
detê-la, mas seria tê-la morta.
Livre para pairar num céu sem peias,
na solidão de um vôo sem destino,
por que perder, nos olhos de águia, o tino,
vindo a quem se agrilhoa sem cadeias?
Deusa das asas! Seu vagar escapa
a meus sentidos, seu desejo alcança
tudo que a mim se esconde atrás da capa.
Vá embora daqui! Siga seu rumo!
Sou prisioneiro, um órfão da esperança
e arrasto um vôo cego em chão sem prumo.
Luís António Cajazeira Ramos
baaaaaah :S
Sábado, Setembro 15, 2007
Um só momento e fico presa a ti
A tua pele conta uma história que não é a minha
Mas a tua química pertence-me
As tuas mãos no meu corpo
E a minha boca na tua
O teu sabor é o meu
A tua língua tem o meu gosto
A minha boca sabe à tua boca.
O teu corpo conta a minha história
As rugas dos teus olhos não me denunciam
As minhas pertencem-te…
Não são já mãos que acariciam
São corpos que se fundem
A mesma química
Os mesmos iões
A minha pele na tua
E sinto-te como meu
A tua língua tem o meu gosto
A tua boca sabe à minha boca.
Sei que a nobreza que te cobre a pele
Tapa apenas a pessoa em que te queres tornar.
Colas os teus olhos na minha alma.
Sei que a quietude que te caracteriza
Esconde só a liberdade que tanto desejas.
De almas coladas dançamos já sem ouvir a música,
Na sintonia que cronos nos ofereceu
E que agarrámos com fervor.
As nossas mãos tocam-se e abalamos o mundo
Numa tontura que me faz querer fechar os olhos,
Só para não me perder em cores desnecessárias,
Mas o teu olhar sempre vem em busca do meu
Para não o poder de vista.
A multidão aplaude e acorda a nossa dança.
Largamos os nossos olhos
E apertamos com força as mãos,
O meu corpo pede o teu
E a distância não nos dissuade.
Nesse momento a minha alma ainda sabe
Que qualquer lugar será nosso
Se o este olhar nunca se perder.
Sexta-feira, Setembro 14, 2007
A liberdade de fazer tudo o que me apetece é das coisas mais importantes na minha vida e no entanto, deparo-me com uma catadupa de consequências que não sei bem como enfrentar… Basicamente, há demasiada informação por processar e quando isso acontece, fugir é o único escape… Ser assertiva, claro, fria, por vezes, mas depois pisgar-me a correr com medo de sufocar com tanta informação e com a possibilidade de ficar presa em algo que me vai fazer abdicar de outras pessoas…
Perceber o que estou a sentir seria um bom trabalho, mas as sensações misturam-se e já não as sei catalogar. Uma coisa é certa, sei aquilo que consigo ser quando estou completa. Poucos momentos roubados ao tempo chegaram para tal. E neste momento não é isso que eu sinto. E neste momento, qualquer coisa mais pequena não chega. Simplesmente não é suficiente.
Saber que as minhas acções têm efeitos nos outros é um peso terrível….
“És eternamente responsável por aquilo que cativas!” já dizia o Saint-Exupèry…
Já me bastam as novas responsabilidades (oficiais) pelas vidas dos outros. Vou fazer greve de cativações… Tenho uma fuga à vista, como nos bons velhos tempos… E de novo a sensação de não levar nada até ao fim. É o que acontece quando as fasquias sobem… Mas não trocava aquela sensação de SABER, aquele click intergaláctico, aquele mundo surreal, por nenhuma certeza-cega neste momento. (Ai Lud, tinhas uma metáfora-que-não-é-metáfora-porque-é-mesmo-físico tão boa para isto!)
Devíamos ser como no Um e poder ter vidas paralelas para ver onde nos levava cada uma das nossas escolhas… O que poderei estar a perder?
Bem, a liberdade pertence-me, acho que preciso de tempo e de iluminação para decidir o que fazer… Desta vez a vodka seria, decididamente, uma má solução! (oh não, já nem vodka me salva!!)
Baaah, não tenho tempo para isto! E porque é que as pessoas precisam de tantas explicações anyway?! E porque é que continuo a querer ser responsável quando acho que sou livre? Alguém aqui anda muito equivocada... Serei eu? :S
Quinta-feira, Setembro 13, 2007
Por mais que a preocupação e a distância se esforcem, sinto-te aqui. Os lugares onde vou, as conversas das pessoas sentadas à minha frente no comboio, as frases que leio, as músicas que ouço, tudo o que me tem feito sorrir e desesperar, estão cheios de lembranças de ti. Deixas-te o quotidiano, mas eu vivo-o por ti, ansiando pelas histórias que vais trazer. O que te fez sentir a cidade azul e branca? E a areia cor de açafrão? Sempre conseguiste ir à cascata? Os “buraquinhos” têm tintas malcheirosas ou é apenas mito? Tenho tanto para ouvir e tanto para te contar que nos arriscamos a outra conversa de surdos como no dia das caixas, antes de partires. Mas não quero perder nem um segundo dos teus relatos! Espero que te encontres ao encontrares mais um “bocadinho do mundo”.
Aqui o tempo não parou e é tão mais fácil quando posso ouvir a tua voz.
Segunda-feira, Setembro 10, 2007
O estágio já começou, meio dissimulado, meio formalizado, e cá estou eu espantada com a catadupa de desafios com que me deparo. “Mas eu não me sinto preparada!!” “Nem nunca se vai sentir”. Talvez. A verdade é que consigo ser eu em cada uma das pequeninas coisas que faço. Sinto que está ali alguém que confia e acredita e que deixa voar…. Era disso que estava a precisar.
E hoje, ironia do destino, recebemos o primeiro caso: tentativa de suicídio. Afinal não fugi assim tanto da minha paixão pseudo-intelectual. O medo está cá, mas a curiosidade (e a cuidadosidade) hão-de superá-lo.
Quinta-feira, Setembro 06, 2007




Conclusão da semana: os fotógrafos não podem ter filhos.
Nem sequer é bem não poder, é mesmo não dar jeito nenhum! A possibilidade existe e é real, mas se houver princípios de educação e acompanhamento do desenvolvimento dos catraios que impeçam o depósito, sistemático e prolongado, em casa de avós, tios, padrinhos, amas, colégios internos, torna-se praticamente impossível. Já nem falando das saídas do país que a coisa exige e o bichinho pede, qual alma errante em busca do aperfeiçoamento do olhar.
A experiência da última semana diz-me que biberões, fraldas, sonos, papas, choros e fichas de electricidade são altamente incompatíveis deambulações fotográficas, saídas em hora mágica e deslocações a lugares menos seguros. Aqui a “possibilidade” entra na eventualidade de se encontrar um cônjuge caseirinho e pouco fotográfico (que seria uma grande seca), o que no meu caso seria complicado, já que ele não teria os atributos maternais que alimentam os piquenos.
Eu gosto de ser prima, é verdade! É bom poder brincar com as miúdas e agarrar nelas para as devolver aos pais quando estão a chorar. Devo dizer também que dão óptimos modelos! No entanto, na última semana, abandonei as minhas funções em prol da fotografia e quase não dei conta. É uma incompatibilidade de prioridades muito grande. E isto lembra-me uma cena do Before Sunset (como não podia deixar de ser) em que a Celine diz que o seu namorado fotojornalista (que é um bacano porque nunca está em casa) fotografa pessoas aflitas antes de as ajudar. E eu compreendo isso. A busca do olhar é tão forte que acaba por nos separar de tudo o resto. A necessidade de captar a essência do momento implica fazê-lo durar, pelo menos enquanto não dermos o nosso melhor click. Observadores absorventes com apenas um olhar presente no mundo. Tudo o resto deixa de existir. O “momento decisivo” é a prioridade e a entrega é total.
Esta brilhante conclusão entronca com as dúvidas dos últimos tempos, acerca do será-que-estou-no-curso-certo? Ó dúvida cruel… Oh asas cortadas e futuro incerto…
Terça-feira, Setembro 04, 2007
Familias
É bom irmos sabendo, de quando em quando, que certas pessoas e famílias, que passaram na nossa vida, continuam a lutar pelos seus sonhos. O tempo e a distância podem tentar afastar-nos mas momentos como estes confirmam que valeu a pena conhecer tão interessantes pessoas.
keep on dreaming!
Quinta-feira, Agosto 23, 2007
Tem vindo a ser um tema recorrente. Sinto que já não tenho uma vida inteira pela frente. Hoje, num daqueles acasos bons, encontro alguém que partilha o mesmo estado de espírito. “Os de 80 já são todos maiores de idade”. “Os miúdos não sabem o que são carrinhos de rolamentos nem walkman’s!”. Por outro lado sabem muito bem o que é uma playstation e dominam mais a informática do que os próprios pais. Não que ache isso mau, é apenas outra forma de aprender o mundo, ainda que muitas vezes seja mais solitária do que jogar às escondidas no jardim ou futebol no campo improvisado do nosso bairro. Nós também não brincámos ao peão. É apenas uma mudança de formato. Mas faz-nos sentir velhos, da “old school” como dizias.
Vemos os miúdos, de 13, 14 anos, em grandes concertos e férias sozinhos, coisa inimaginável no nosso tempo. Mas se por um lado se parecem mais adultos, pelas permissões, roupas, cigarros no dedo e copos de cerveja na mão, por outro lado talvez não tenham brincado o suficiente, nem aprendido o necessário sobre a vida, já que ainda estão em maturação e daí resultam os comportamentos irresponsáveis que quase parecem contraditórios com a liberdade que possuem.
Já passámos essa fase.
Alguns de nós deixaram a escola e estão agora casados e com filhos. Outros para lá caminham, sem nunca terem saído muito do mesmo meio e dos velhos hábitos. Poucos de nós seguiram a vida académica. E até essa está a acabar. Estamos a correr para o mundo do trabalho sem ter tido o tempo suficiente para viver os tempos do traje negro, deixamos de ter os horários flexíveis que nos permitiam fugir da rotina, deixamos de ver aquelas mesmas pessoas no bar, todos os dias… Pode parecer cliché mas é verdade, o tempo não volta atrás. E é isso que neste momento me causa uma espécie de nostalgia por tudo o que foi e uma revolta por tudo o que podia ter sido. Continuo a achar que não vivi o suficiente e já levo algum atraso nas andanças da vida. Olho para a frente e vejo um nine-to-five job (na melhor das hipóteses), contas para pagar e pessoas para cuidar.
Tens razão querido Diogo, estes podem ser os melhores tempos da nossa vida e podemos não conseguir viver tudo o que queremos agora. E sim, as pessoas têm muito medo de parecer crianças, mas é tão bom ir ao toys’r’us e brincar com tudo aquilo que não tínhamos na nossa infância!
Pareço uma velha a falar, eu sei e ainda não cheguei aos 30! Mas sinto, cada vez mais, o tempo escorrer-me através dos dedos sem conseguir fazer tudo o que quero com ele.
Serei talvez uma day dreamer com mais sonhos do que vidas.
Quarta-feira, Agosto 22, 2007
Domingo, Agosto 19, 2007
Resignados nos seus últimos dias, recebem visitas que não podem dizer “as melhoras” ou “vai tudo correr bem!”. Encarno, de novo, o Homem Absurdo de Camus ou Raúl Brandão… O ridículo da morte…
Pensamentos que se cruzam com o meu caminho mental dos últimos dias…
Estas foram pessoas de luta e entrega… Viveram (desperdiçaram?) as suas vidas em nome de um ideal de sacrifício e privação, que os levaria um dia ao “Céu”. Dizem agora que isto é apenas uma passagem… De que vale existir durante 60, 70, 80 anos a esperar por algo que não se sabe se vem? Será que valeu a pena?
“Toda a gente fala no céu, mas quantos passaram no mundo sem ter olhado o céu na sua profunda, na sua temerosa realidade? O nome basta-nos para lidar com ele. Nenhum de nós repara no que está por detrás de cada sílaba: afundamos as almas em restos, em palavras, em cinzas.” (pp. 18)
A morte é absurda, mas mais ainda é existir e penar, no único minuto que temos entre o nada e o nada. A haver um Céu, seriam dele merecedores os conformistas, apáticos em esperas vãs, numa vida de causalidades atribuídas a entidades exteriores? A haver um Céu, quais seriam os critérios? Inertes ou lutadores?
“Que outra coisa fizeste na vida senão esperar a morte?” (pp.41)
“Então para que nasci? Para ver isto e nunca mais ver isto? Para adivinhar um sonho maior e nunca mais sonhar? Para pressentir o mistério e não desvendar o mistério?” (pp.41)
Antes, estas e outras palavras derrotistas e absurdas, retiradas do meu fiel Húmus, livro de cabeceira, ao qual faltam ler 10 páginas desde há 3, 4 anos, faziam-me todo o sentido. Com o tempo fui aprendendo a roubar vida a esta existência efémera e hoje não me consigo ver de outra forma. Agora eu deixei de ser Raúl Brandão para ser o Gabiru e acreditar no sonho.
Ultimamente tenho pensado (é mais um “sonhar acordado” do que outra coisa) na minha vida daqui a um ano. Emprego, independência financeira, finalmente um substrato para as minhas viagens, para a fotografia, para tudo o que hoje não posso fazer, apesar de até ter tempo. Yaris passaria a ser meu e não teria tantas limitações espaciais. Era mais uma vez a estrada a chamar-me. Mais uma vez a realidade acorda-me para me lembrar das células manhosas, das velhices, das incapacidades e da minha condição de “bombeira” solitária.
Hoje revolto-me por várias razões. Pelo absurdo da morte. Pelo absurdo da morte anunciada para quem não fez outra coisa na vida que não esperar o que vem depois da morte. Pelo absurdo da morte para quem ainda não acabou tudo o que queria fazer nesta vida. Revolto-me mais ainda por não ser a morte a única a levar-nos os sonhos. Não quero ficar parada. Não caibo nestas quatro paredes, preciso de partir… E quando mais me aproximo do cume da montanha das possibilidades, mais me puxam os pés em direcção ao vale.
“É tudo tão fugaz e tão breve”. Ouço e ouço e sei que tenho que arrancar madrugadas e gargalhadas mas não consigo acreditar que nem tudo o que nos ata nos pode prender… Tento, cada vez mais, lutar contra esta efemeridade e não fazer demasiados planos nem embarcar em princípios e promessas vazias. Naqueles breves segundos antes de tudo acabar, quero saber e sentir que agi sempre consoante aquilo que era verdade para mim. Talvez por isso as árvores hoje pareciam mais verdes e o rio mais brilhante. Estou farta de perder tempo em adiamentos!! Estou farta de viver na mediania em todos os sentidos (excepto talvez o intelectual que é onde ainda consigo ir mais longe)! Quero partir!! Será que algum dia terei a possibilidade de fazer aquilo que preciso para ser uma pessoa realizada? (Ou pelo menos mais perto da realização, para não estabelecer objectivos não plausíveis.). Sei o que quero, mas será que a vida sabe? E porque é que não me deixa? Antes contava os anos que me faltavam até angariar os fundos necessários. Agora já nem olhar para o calendário me conforta e sinto-me, cada vez mais, a sufocar.
Acima de tudo, quero viver para evitar a imagem que me ocorre constantemente: velhinha enrrugada, a definhar numa cama, ao lado de alguém que não foi O grande amor, a recordar as viagem que queria ter feito, as pessoas que gostava de ter conhecido, os trabalhos que gostava de ter tido, a pessoa que gostava de ter sido.
será?
Quinta-feira, Agosto 16, 2007
I woke up from the strangest dream
Apercebo-me que já passou muito tempo e regresso pelo mesmo caminho, embora os passos comecem a apressar-se à medida que vou caminhando. Abro a porta. A casa já tinha acordado e assustam-se os rostos com a minha chegada sem saída anunciada. Segue-se um dia de praia, risotas, parvoíces, álcool, luzes, canções, corpos dançantes e um sono sem sonhos, que me fazem esquecer, momentaneamente, a procura e o vazio.
Voltamos todos à falésia, numa caminhada em que me desprendo das conversas e me perco numa nova contemplação. O regresso à realidade faz-se num lanche entre arbustos e escarpas, em toalhas empoeiradas que servem de cama à sesta vespertina.

Perdidos em olhares, gargalhadas e muita, muita partilha, fugimos do mundo quotidiano das nossas, mais ou menos, preenchidas vidas. E como é bom acordar assim para dias totalmente feitos por nós e para nós, dias que só acabam no dia seguinte, tendo o pôr-do-sol a marcar o meio das horas.

Regresso e parece que o tempo não passou. Tudo aqui está na mesma. As saudades nossas são muitas. Valeu a pena.
Quarta-feira, Agosto 15, 2007
Sexta-feira, Agosto 10, 2007
Hoje encontrei uma menina na praia. Dois elásticos coloridos prendiam um cabelo encaracolado por debaixo de um chapéu de ganga. Vinha do mar, trazendo consigo dois baldes de água, areia e conchinhas. Chorava dizendo que a mãe se tinha ido embora. Caminhava pesadamente entre as pessoas, de olhar vago perdido nas lágrimas que lhe escorriam pela face. Ao chegar perto da minha toalha, deixava já um rasto de olhares fixos na sua dor, olhares que eram disfarçados com um grito vago atirado ao filho ou um sacudir desatento de toalha. Afinal, a praia estava cheia de gente, “alguém há-de ajudar”.
Aproximei-me dela e mal lhe conseguia perceber o nome pelo meio das palavras soluçadas: “eles foram embora!”. Interessante como o sentimento de estar sozinho leva à percepção de abandono imediato e intencional. Rapidamente o desespero se converteu em angústia e a angústia em apatia. Já dificilmente lhe arrancávamos a cor do chapéu ou um ponto de referência. Caminhava de olhos pousados no chão como se tivesse desistido de procurar. Encorajamo-la a olhar em volta e, pouco depois, começa a caminhar numa direcção diferente, em silêncio, como se tivesse encontrado algo que já não esperava. Parou perto de algumas pessoas que pareceram não notar a sua presença. O meu olhar inquisidor denunciou a situação: “Ah estás aqui. A tua mãe estava à tua procura”. Fixa em nós o seu olhar vazio. Dizemos-lhe que vá. Despedimo-nos, tentando contagiar-lhe um sorriso. Vai!
Quinta-feira, Agosto 09, 2007
Aprendo isso muitas vezes e parece que existe uma tendência a ir esquecendo.
Passei os últimos dias irritada por terem estragado planos conjuntos de férias, decididos desde o ano passado. Abdiquei de maiores e mais ricos destinos, num espírito mais familiar, mas nem assim menos interessante, apenas por aquela semaninha que era só nossa, “de pés descalços e unhas pintadas”, com torta de chocolate como pequeno-almoço. A sensação não caber nestas quatro paredes caiu em mim como chumbo. Seria demasiado tempo aqui do que aquele que ia conseguir suportar. É estranho quando a nossa casa não corresponde ao lugar onde nos sentimos em casa.
Mais uma vez foi apenas uma situação que conduziu à possibilidade de abrir outra porta. Pondero prós e contras e salta sempre mais alto a ideia de partilhar dias com pessoas novas, algumas desconhecidas, e de poder redescobrir um lugar que me fascinou, há duas semanas atrás, por minha conta.
Este será, supostamente, o meu último ano de férias de dois meses. Já só falta um. O que quero eu fazer com estes dias? Mais do que o tédio de aqui estar me permite.
Segunda-feira, Agosto 06, 2007
Desta vez surpreendeu-me uma porta que antes se encontrava selada.
Apesar de se encontrar no primeiro piso, eu sabia que aquela entrada me ia levar à torre. Um arrepio percorreu-me a espinha: é hoje! Mas não deixei que as pressas perturbassem a minha visão e demorei-me na escadaria. Subi e cada sala representa uma parte da essência da Quinta em tons escuros, um pouco desconfortáveis até, como se os próprios visitantes estivessem a fazer a sua viagem iniciática. Eu senti-me, mais uma vez, a iniciar-me na Regaleira.
É bom saber que existem lugares como este e que há pessoas que se preocupam em mostrá-los ao mundo em todo o seu esplendor, quer pela manutenção dos jardins e dos acessos, quer pelo restauro do Palácio e organização da exposição nos tons da essência do lugar.
Regaleira…
revisited



Domingo, Agosto 05, 2007
Escuro e Luar
Feitos de chão, de chuva e sonho
Fora do tempo
Despedaçado
o que fica de nós
Nas batalhas sentidas cá dentro
Por isso é que eu sigo esse brilho da noite
Que é estrela ou chama
Olhar ou mar
E vou procurar essa luz
Mas só quero lá chegar contigo
Feitos de tempo em mil pedaços
De escuro e luar
Há uma noite que é escolhida pra ser
Essa noite que se há-de guardar
Por isso é que eu sigo esse brilho ou calor
Que é estrela ou chama
Ou tu em mim
E vou pra poder descobrir
Quem é que ainda sou contigo
Dispo o cansaço e recomeço
Mais uma vez
Há um sorriso que nos salva do frio
E recolhe o que a vida desfez
Se me desarmo noutro feitiço
Num outro olhar
Há um abrigo que não deixa morrer
Quem nós somos e o que temos pra dar
Por isso é que eu sigo esse brilho da noite
Que és tu em mim
Ou quem eu fui
E vou pra poder descobrir
Mafalda Veiga
Reencontro as minhas canções, aquelas intemporais que fazem companhia quando a noite se instala pesadamente sobre mim e o sono me falta. Não sei de onde vêm mas nas últimas horas têm germinado em mim ideias e ideais de vida que remetem para qualquer lugar longe daqui, ainda que outras insistam num olhar diferente sobre o que já conheço. Os meus passos traem-me ao tomar consciência da origem dessas ideias e muitas vezes penso que assim não fazem sentido porque não nasceram só de mim e não podem ser levadas a cabo só por mim… Por outro lado, apetece-me sair e colocá-las, a todas, em prática, para poder dizer “eu consegui”, “eu não tive medo”, qual menina rebelde que foge de casa sem deixar carta. A procura recomeçou, catapultada pelos acontecimentos dos últimos dias, pelas pessoas que me continuam a empurrar, pelo Camus que já chama por mim para que lhe leia A Peste. Não sei até onde vou conseguir ir, não sei sequer se vou sair do mesmo lugar, não vou certamente trair memórias que não são só minhas e que escondem o vazio na minha alma, mas sei que vou continuar a fazer o que me apetece porque só assim será verdade em mim. Receio e nego uma camuflagem daquilo que esperava vir a viver neste momento, quero acreditar que é real e não de vai desvanecer, como tantas outras coisas, ao nascer-do-sol.
“Por isso é que eu sigo esse brilho da noite” sem saber ainda onde isso me vai levar…
Sexta-feira, Agosto 03, 2007
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
[...]
Adeus.
Eugénio de Andrade
Quinta-feira, Julho 19, 2007
“E porque a noite nos atrai sempre e os nossos passos caminham sempre em direcção a ela (…)”
…e fujo, procurando uma cama para dormir ou um livro para me distrair em vez de enfrentar, no contexto apropriado, a possível realidade do futuro. A peça que faltava foi encontrada e no entanto o vazio do seu lugar mantém-se. Será possível agarrar a areia sem a fazer fugir por entre os dedos? Livre mas acorrentada pela dúvida num nó apertado pelo medo. Perder, perder… E a noite continua lá fora, a coruja pia e a vontade de correr para aquela praia mantém-se. Mas o sono também bateu à porta depois de um dia preenchido propositadamente por tudo quanto canse o corpo. Há coisas por fazer mas não importa. Fica o medo, a incerteza, a saudade e aquela liberdade que só a noite dá.
Quem será que canta esta música? Gosto.
Terça-feira, Julho 17, 2007
Preciso…
De pés descalços e unhas pintadas
De acordar sem sonhos e adormecer a meio de conversas
De ver pessoas novas e falar com desconhecidos
De sair sem casaco, ainda que esteja frio
De fotografar pegadas na praia e pessoas nas ruelas
De ouvir os gritos histéricos das gaivotas ao pôr-do-sol
De ser clandestina numa cidade diferente
De ver o sol nascer antes de voltar para casa…
Quero…
Comer torta de chocolate como pequeno-almoço
Sentir os ritmos das ruas e dançar como quem anda
Partilhar dias consecutivos com aqueles que me fazem sorrir
Deambular pela cozinha entre o calor e os aromas
Acordar alguém com gritos e flashes
Nadar nas límpidas e calmas águas, desejando que houvesse ondas
Ser a Ema de engenharia ambiental, por uma noite
Ver os artistas de rua e adivinhar o se esconde por detrás das máscaras…
Preciso de me sentir livre no mundo…
Quero voltar àquele tempo só nosso…
Saudades muitas.
Domingo, Julho 15, 2007
"A centopeia era feliz, e muito,
Até que um sapo, gozador,
Perguntou: "por favor, qual perna vai à frente?".
Isso confundiu-a tanto
que, distraida, afogou-se num tanque,
Atrapalhada, pensando em como andava."
(In, Steve de Shazer, terapia familiar breve)
Sábado, Julho 14, 2007
Gomas medievais e luas de madeira, ruas estreitas e escadarias cúmplices, poemas que voam e músicas que caem. A noite. E tropeço em ti a cada passo do meu caminho, entre o que foi e o que poderia ser, açúcar e ritmo em deambulações solitárias, como se a minha própria sombra tivesse partido. O paradoxo de prender os pés naquilo que não está, como se a complementaridade fosse prova de existência efectiva. E esta sensação de igual-para-igual faz com que tudo nasça naturalmente, permitindo ser plenamente sem quandos nem porquês até que outro sol nasça. Mas não agora, e corro para o sol da madrugada que cega o monstro que vive na minha barriga com a promessa de um dia cheio de tudo o que não seja teu. Promessas… Tu és tudo e já não consigo ser sem te ser a ti, tão intricada está a tua vida na minha. E recordar os momentos em que deixei de ter medo de mim e do mundo em lugares meus, embora já não exclusivos, onde posso ser, verdadeira e naturalmente, Eu. Percebo agora que esse Eu não me pertence e não se confina à minha essência. Também ela foi contaminada, expandindo-se muito para além dos meus limites físicos, sincrónicos e diacrónicos. Eu já não sou só eu, mas um conjunto de momentos, lugares e pessoas onde tu te passeias constantemente para me lembrares de quem sou. É um sentir-te aqui sem estares, como se fosse uma sombra que vemos mas não podemos tocar. E recordar-te Tu, absorvendo ambientes, partilhando olhares e canções, em lugares impregnados de qualquer coisa, entre um tu e um eu, que não sei descrever, num estado aparentemente presente e despreocupado, como se o amanhã não existisse e o resto do mundo fosse uma ilusão. “Uma pena azul?” …é possível…A distância voluntariamente forçada dói com dúvida e saudade, mas mais ainda por separar a magia da realidade, quando estas se definem uma a partir da outra...
Quarta-feira, Julho 04, 2007
Não se pode comer o bolo ser o perder”
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego
Sexta-feira, Junho 15, 2007
Há dias assim… em que os braços se abrem para o ar e os sorrisos esperam quem está longe… Hoje sinto a saudade dos “de sempre” e as lágrimas escorrem por dentro da face, apertando-se com um nó na garganta… E os “quases” não chegam porque o hoje está aqui e não quer esperar por um momento atraiçoado pelas pressas da vida que não permitirão apertar abraços, demorar sorrisos e pingar lágrimas.
Tenho saudades vossas.
Sinto a tua falta.
Sábado, Maio 26, 2007
Hoje fui à feira do livro, pela primeira vez sem uma lista de títulos e editoras que me guiassem o passeio pelasbarraquinhas. Muitos livros vieram ter comigo tocando um estado de espírito, um sonho, uma pessoa ou um interesse actual… Deixei ficar alguns para depois… Parei perto dos livros de suicídio sabendo que já não fazia sentido investir tanto ali, naquele sonho de tantos anos que por minha vontade e factores externos, não se vai concretizar… Abandonei os corvos de Avalon e a casa da floresta, esperando melhores dias…
Folheei histórias bizarras, li episódios mirabolantes, encontrei livros do passado que voltaram a fazer sentido, fiz achados raros e comprei muitos livros, para mim e para não-mim e gastei muito pouco com isso…
Domingo, Maio 20, 2007
- Como assim? – perguntou Govinda.
- Quando alguém procura – respondeu Siddhartha – pode acontecer que os seus olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre porque ele pensa sempre e apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos. Tu, Venerável, és talvez um homem à procura, pois, perseguindo o teu objectivo, muitas vezes não vês aquilo que está perante os teus olhos.”
In Siddhartha, Herman Hesse
Procurar, Procurar, Procurar…
Em vez de caminhar para uma decisão informada só tropeço em dúvidas… cada vez mais dúvidas…
É difícil escolher a nossa vida para o próximo ano, ainda mais quando há vulcões por perto que não sei quando poderão entrar em erupção nem os estragos que vão fazer.
Até o meu grande sonho de ir trabalhar inicial se está a assombrar de fantasmas que começam agora a ganhar forma. Porque esta semana me chamaram numa aula “Ana, Ana, para onde vais?” e eu percebi, naquele momento, que tinha medo e que não o queria admitir. E porque, no dia seguinte, me perguntaram se esse medo era dos “Senhores grandes”… E era-o de facto… Ler é estar perto, quase tão próximo que me parece que posso saber os pensamentos dos autores… Estar na sua presença imponente é outra história…
E autonomia para ser eu e criar!?
Segundo as pessoas que interessam, a pergunta é: “O que tenho eu para oferecer de novo a esta instituição?”… Mas eu tenho perguntado: “O que me deixam fazer de novo nesta instituição?!”
Sou pequenina mas sei que com boas indicações posso voar alto. Não quero fazer mais do mesmo, não quero viver by the book, não quero o relatório do ano passado…
E no entanto sei que posso ter todo esse céu para voar mas sem sair de onde estou… Espaço suficiente, asas cortadas…
Hoje escrevo para me organizar, para monitorizar o meu processo de escolha, pois os próximos dias trazem mais toneladas de informação que posso não conseguir assimilar…
Porque é que tem que ser tudo ou nada!?
Escolher é tão difícil…
Mais ainda quando sempre soube o que queria… achava eu…
Terça-feira, Maio 01, 2007
Preciso de música. Procuro uma suficientemente neutra que seja boa companheira de devaneios matutinos. Seria reconfortante ouvir uma melodia que seguisse o meu pensamento e consumisse os meus receios e frustrações… Poderia olhar para aquele cantinho da Serra, ao nascer do sol, tendo a minha canção como companhia. Apercebo-me então de que ela não existe e todas as músicas da minha playlist têm mais do que um dono. Nenhuma é apenas minha… Ana’s song, just be simple, lioness, hate me, fade to black, ache for you, girl&the ghost, give me a reason, rest in pieces, hedonism, golden cage, one, you ought to know, a waltz for a night, ouvi dizer, somewhere only we know, conta-me histórias, the river, gente perdida, world hold on, cúmplices, crazy diamond, inside my head, 3am, lightning crashes, 8th floor balcony, monotone, vem rastejar, the dancer… Nenhuma delas é minha, só minha que a possa ouvir sem me recordar de outros tempos e de outras pessoas, de outros lugares e de outros eus… São sempre de mais alguém, de mais algum acontecimento, de um sitio qualquer no mundo ou na minha mente. O denominador comum são as pessoas. Elas pontuaram as minhas canções que não são delas porque as possuíram, mas porque possuíram o tempo da minha mente numa determinada época. Relembro algumas. Não sinto saudade pois cada pessoa tem o seu espaço-tempo, mas recordo nostalgicamente cada pessoa da minha vida… Os meus meninos, os meus The One’s que nunca o foram mas também não deixaram de ser, os confidentes, os deambulatórios, os ombros, os abraços, as conversas, as promessas e os “para sempres”. Todos têm um lugar, um cheiro, uma cor, uma melodia… Com todos, refiro-me às pessoas e aos acontecimentos que já em si são pessoas. As coisas importantes da vida não ocorrem isoladas, a menos que seja uma espécie de “aparição de mim a mim mesmo”, o que, ainda assim, tem grande probabilidade de ser despoletado por alguém. Os momentos que marcam acontecem geralmente num contexto de uma relação que tem o seu lugar, o seu cheiro, a sua melodia. Assim, nenhuma dessas coisas é apenas minha. Há um processo de partilha constante e, por vezes até, subliminar, que vai impregnando dos outros tudo aquilo que julgamos ser nosso.
E hoje fazia-me falta uma canção que não lembrasse ninguém, mas tudo quanto faço soar me traz um lugar, uma cor, uma época e, consequentemente, um alguém. Porque eu não posso, como ninguém pode, viver a vida de longe. As pessoas estão lá, diferentes a cada momento, únicas nas suas particularidades, tatuadas na minha pele e nas minhas canções.
Nada é realmente e somente meu.
[….Entre uma estação e outra, numa segunda feira de manhã.]
Quarta-feira, Abril 25, 2007
Devolve-me o que te dei, hoje não te daria a metade.
Devolve-me os sonhos, quero vivê-los noutro espaço.
Devolve-me o que disse, as palavras passaram do prazo e soam ridículas quando lembradas aos meus ouvidos.
Devolve-se as ilusões, quero-as minhas para me poder desiludir.
Devolve-me os rostos, aqueles que passavam na cegueira que os ignorou.
Devolve-me as memórias, deixa-as ser só minhas para as poder queimar no fogo das minhas noites.
Devolve-me o olhar, aquele que só em ti se focava e que agora quer ver mais além.
Devolve-me o silêncio, quero preenchê-lo com outros sons.
Devolve-me a confiança, a que sentia na segurança do teu olhar e que não mais voltou a aparecer.
Devolve-me a saudade, preciso de senti-la por outros.
Devolve-me as lágrimas, as que corriam pela dúvida e que com a dor, e para maior dor, secaram.
Devolve-me o tempo, deixa-me acreditar que ele não passou.
Devolve-me o sono, quero adormecer o passado e matá-lo sem provas.
Devolve-me as ideias, aquelas que nasceram na minha mente através de ti e que agora apodrecem e contaminam as que querem crescer sãs.
Devolve-me os minutos, devolve-me as horas, devolve-me os dias, em que ocupaste a minha mente. Juntos dar-me-iam tempo suficiente para tudo o que não cabe na minha agenda.
Devolve-me os sorrisos, preciso deles para continuar.
Devolve-me a esperança, a que me fazia acreditar que era possível e me enganou.
Devolve-me tudo o que fui, deixa-me crescer com isso.
Devolve-me o amor, quero-o para mim.
Liberta-me.
Devolve-Me.
Domingo, Abril 22, 2007
Sábado, Abril 21, 2007
Abro mais uma vez o envelope. Barras de cinzentos denunciam horas de tinas e papel, “bolinhas” e guilhotina, luz e vermelho escuro. Recordo a ausência de tempo naquelas horas. Até os minutos dos líquidos são contados fora do tempo do mundo, enquanto bocadinhos de mim se imprimiam, como que por magia, e para meu grande espanto, ali aos meus olhos. Casas e centrais eléctricas nascem lado a lado com janelas complexas e candeeiros “cri(p)ticos”.
Calor vermelho, um stop, meio stop, uma volta e meia, meia volta, uma volta, a luz cega.
As melodias gritam alto durante o processo sem o processamento que exige o tempo que continua a passar lá fora, as vozes baixas partilham experiências, o espanto a cada volta e meia de cinzentos mágicos. Ciclo a ciclo fica a necessidade urgente de fazer melhor e repete-se o irrepetível, com mais ou menos stops de tempo, com diferentes contrastes e outras máscaras.
E tudo é possível no pequeno intervalo de réguas do marginador… Posso iluminar as trevas ou escurecer as luzes, posso mudar a realidade que pensava ter visto e registado.
Não posso deixar de pensar que é inútil e ridículo reduzir a experiência verdadeiramente experiêncial a um conjunto de palavras, ou, como diria Whitaker:
“Anything worth knowing can’t be taught…
It must be experienced!”
E no entanto, este é o meu reconhecimento, da minha aventura nas luzes dos cinzentos, onde tudo é possível, e a quem, subtilmente, me conduziu através do caminho cíclico que vai do negativo à última imagem de todas, quem guarda o olhar crítico e deixa aprender e espantar com as pequenas coisas ainda muito imperfeitas, quem diz “eu dava mais um stop” como quem faz sugestão ao invés de determinar a solução.
Entre canções e rapazes brancos, silêncios, palavras, stops, voltas, luzes que doem, luzes que criam o impossível, entre cinco paredes que deixam o tempo lá fora, nascem imagens que são minhas desde que as vi e até que as coloco no envelope.
The time has stopped.
We’ve stopped the time.
I’ve stopped the time.
Domingo, Abril 15, 2007
E de facto, dos meus saltos altos de “crescida” trepei estruturas de madeira e caminhei sobre pontes suspensas, correndo com os meus amiguinhos de brincadeira para ver quem chegava primeiro ao baloiço. De lá, a perspectiva era diferente, mais alegre e genuína e as borboletas eram sentidas na barriga pelas razões certas.
Hoje apercebi-me de que, ultimamente, há várias pessoas na minha vida que e obrigam a fazer o que gosto. Com o meu locus de controlo externo em condições de cansaço e tédio existencial, vejo agora que se não me fizessem passear, fotografar, fazer nascer as minhas imagens pelo processo artesanal, construir as minhas pequenas obras de arte e mostrá-las ao mundo, se não me fizessem apreciar uma nova canção ou ver um filme interessante, provavelmente estaria enterrada no meu puff a lamentar-me por existir.
O estranho é que sei o que quero, para mim, para a minha vida, e no entanto, nem sempre me movo nessa direcção. E sento-me a estagnar com o riacho, a secar ao sol, lamentando-me pelo calor, mas sem me levantar para sair para a sombra. Acontece-me por vezes, quando me esqueço de ser e também fazer.
Felizmente que neste momento me faço rodear por pessoas persistentes que exigem mais e melhor, que me obrigam a gostar de viver e a fazer o que gosto! E sinto-me atolada em trabalho mas feliz e empenhada a gerar as minhas obras que um dia hão-de nascer. Faltam duas peças de mim ainda… Mas estão de férias hoje! É tempo de trabalhar!
O meu reconhecimento aos que me fazem levantar da cama todos os dias, ainda que por vezes acorde a pensar que vai ser “só mais um dia”, depois de adormecer com “o que poderá ser”, ou, mais frequentemente “o que poderia”…
Quinta-feira, Abril 12, 2007
Amanhã vou encontrar o certo e fazê-lo.
Amanhã a duvida vai acabar.
Amanhã…
Será que amanhã vai ser diferente do hoje?
Amanhã o vermelho e negro vão doer menos?
E sorrateira a brisa transforma-se em rajada e espalha as folhas pelo chão, derruba a mobília pelo caminho, bate com as portas para as deixar abertas. Será já tempo de as fechar e deixar o vento seguir o seu caminho?!
Esperar mais uns dias… Quantos, quantos mais?!
A bagunça está já demasiado instalada para permitir a vida nesta casa…
Já não há visitas nem curiosos, o estuque cai sobre os tapetes desbotados, o soalho range, há fendas na parede que deixam passar o frio e o vento. E pinto as paredes de verde e rosa, contra o tempo e contra o vento.
É melhor deixar seguir.
Amanhã.
Fechar as portas.
Mais uns dias.
Esquecer.
Queria tinta rosa e verde.
Segunda-feira, Abril 09, 2007
Mas não… Ontem apetecia-me dançar e hoje é o raio das ideias para criar! E como não há feltro para mais malas, hoje estou com as flores…Eu tento, tento… Deixo o trabalho a meio, para tentar dormir, mas depois sempre as mesmas ideias, sempre as mesmas pessoas, sempre as mesmas dúvidas… Ou as ideias mudam, ou a minha vida muda, ou vou atacar as benzodiazepinas!
E até estou contente hoje…. Consegui fotografar como há muito não fazia… Embrenhei-me na multidão, de escudo Nikónico à frente, e consegui bons ângulos, boa luz, concentração…. Há meses que não conseguia fotografar com tanta concentração! E aquele som tão típico da reflex que me fazia subir a adrenalina por ter conseguido um “momento decisivo”! Shutterbabe is back!!! :D Finally!
E muito chá de camomila depois, aqui continuo eu à espera nem sei do quê… Talvez se alguém decidisse por mim e a resposta caísse do céu e podia viver feliz para sempre até à próxima dificuldade! Mas por que razão temos que dormir?! Ah é verdade! O Neurociências dizia que ainda não se tinha descoberto o porquê mas que sem dormir não se sobrevive… Raio da condição Humana!
É que nem escrever decentemente consigo, o que já seria uma forma de arrumar ideias. Mas não! Dou nos feltros, dou na música e dou nos pozinhos do João Pestana que devem ser placebos! Vou passar a ir comprar “ao Zé”.
Bem, e não é que o Derek voltou outra vez a trocar a Meredith pela ex?! É que não há paciência para os homens! Não sabem o que querem e depois dão justificações à posteriori do tipo “ela é minha mulher”! DUH! Há mínimos!
O trabalho a acumular e eu nisto… Ai a minha vida… Será que não posso tirar férias de mim própria!? E viver assim despersonalizada por uns dias?! Como diria o Jesse “eu não posso ver um filme sem estar lá na audiência”, é mesmo natural que as pessoas se fartem delas próprias, passam uma vida inteira juntas!
Daqui a umas horas é mais um dia… E a música que está memso boa!
Até já!
Sexta-feira, Abril 06, 2007
Sonhara com anseios seus, mas continuava a ser quem era... e como isso o incomodava, e como isso lhe pesava! Decidiu ser mais expedito e levantou-se, pegou na carteira e saiu de casa! 10 minutos para uma pizzaria e lá estava a comunicar com a dificuldade envergonhada do costume. - Queria que me entregassem uma pizza em casa - dava tempo de ir até ao multibanco - é nesta rua, no número 73, lá em baixo perto dos Correios!
- Em que nome fica?
- Zé!
- ... hmm... Sr José, posso saber o seu último nome?
- Pode - corou - Zé Ninguém!"
Ninguém era apelido, mas não dos pais que os não tinha, e no entanto, sempre se conheceu assim... Ninguém… A senhora da pizzaria iria esquecê-lo 10 minutos depois do pedido, tal como o senhor dos correios, o do talho e a da mercearia… Como já tinham esquecido antes os outros funcionários de pizzarias, correios, talhos e mercearias de outros lugares.
Era por isso que Ninguém tinha comprado um telemóvel. De casa em casa queria ter a comodidade portátil de satisfazer as suas necessidades, sem nomes nem caras que não podia recordar e que, verdade seja dita, o assustavam com a sua presença física.
Neste lugar, Ninguém existia quase sem se notar…. Movia-se do banco de jardim, onde se sentava de dia ou de noite, olhando para um jornal que alguém abandonara, mas sem reparar no que estava escrito, para o seu quarto vazio e sujo da pensão do povo. Adormecer depois de uma garrafa de whisky, com os flashes da televisão sem som, era a melhor parte do dia. Era um alívio deixar temporariamente de existir, ainda que não tivesse consciente disso. Quando acordava, a sua existência era uma realidade e o desejo era o de poder adormecer de novo… Várias vezes tentou, tomando comprimidos para dormir que o deixavam atordoado por várias horas, mas nunca o suficiente para o descanso eterno. A sua existência consumia-o e impedia-o de se matar. E era isso que mais o corroía, condenado a penar pelo mundo, sem sentir o cheiro do mar ou das flores de Primavera, nem o sabor doce das tabletes de chocolate que ingeria apressadamente, a horas variáveis do dia, deixando os papeis espalhados pelo quarto. Não tinha nada de que se alegrar e ao mesmo tempo não havia coisa alguma no mundo que o comovesse. Já nem era capaz de acabar com a sua própria vida… Quantos anos mais deambular preso no seu próprio corpo?!
Ninguém no mundo o tem como amigo e ele próprio desistiu de tentar conhecer as pessoas muito cedo na vida.
Afinal nunca tinha vivido. O baque súbito da certeza que o acordara há minutos atrás era apenas a confirmação de uma existência de muitos anos em que nunca tinha vivido. Ninguém o esperava, à noite, quando chegava a casa. O seu telefone apenas recebia chamadas de publicidade ou de algum empregado avisando da chegada da sua refeição ou das camisas prontas na lavandaria. Não tinha caixa do correio nos quartos das pensões e também não precisava pois as contas passavam por baixo da porta. Ninguém sabia onde estava. Ninguém sabia quem ele era. Ele não sabia quem era. Ele não estava vivo.
No entanto, também não estava morto e mesmo a sua existência era duvidosa já que ninguém a podia provar. Apesar disso, à noite, na sua cama de lençóis encardidos, deitava-se no escuro e quando isso acontece deixa-se de sentir o corpo. E aí ele tinha certeza. Existia um ser pensante nele. Era a única coisa certa no mundo. Era isso que o colocava muito perto da morte, mas num “entre” que não o deixava dar o passo seguinte. Estava condenado a existir dentro dele próprio.
Tinha dinheiro para mais uns anos de existência, resultado do seu trabalho nos arquivos bolorentos de um tribunal. Durante três décadas na mesma cave sem janelas, era contactado pelo telefone para colocar as pastas no elevador que seguiam o seu destino. Nunca ninguém soube o seu nome, e não era necessário, as pastas chegavam sempre ao seu destino.
“Levanta tudo!” Não estava habituado a tais abanões no seu corpo, o que se estava a passar?
“Não te faças de parvo Zé Ninguém!! Passa para cá o guito!”
Não se lembrava de ter dito o nome àqueles sujeitos encapuzados e de navalha na mão, mas a proximidade com estas pessoas estavam a fazê-lo perder o controle. Gritavam, apertavam-no mas ele não se conseguia mexer. Desejava que deixassem as ameaças e que espetassem lentamente a faca nas suas vísceras para que pudesse sentir a morte a chegar lentamente, apercebendo-se de cada sentido que ia perdendo, de cada órgão que parava, para poder ter a certeza de que desta vez ia acabar o encarceramento. Mas uma morte muito lenta poderia dar tempo a alguém de o ajudar, e ter que ir numa ambulância com várias pessoas perto dele tentando salvar uma vida que nunca o foi, só essa ideia já o assustava. Não, seja uma morte rápida. Mas seja.
E a navalha tinha já lambido o seu pescoço com o seu fio aguçado, e o sangue formava uma poça em seu redor na praça da vila, os seus olhos estavam fechados e já nada viam, o seu coração tinha parado. E no entanto, nenhuma dessas alterações foi sentida, como se a morte fosse mais do mesmo e não propriamente o descanso final pelo qual ansiava. O seu corpo jazia no chão ignorado pelos passos apressados dos transeuntes da praça. Estava morto.
Foi Ninguém.
Morreu ninguém.
Terça-feira, Abril 03, 2007
- Em nada.
- Nada?
- Só na música… empty mind… tabula rasa…
Pequenos momentos em que o tempo desaparece e com ele, todas as coisas menos boas da vida… Não, naquele momento não estava “preocupada”. Quase que poderia dizer que nem eu ali estava porque o tempo não existia, mas estaria a mentir. Depois da lua quase gorda nos ter seguido, naquele nascer do sol só existia uma essência de mim, a parte que apenas sente, que sonha, que voa, cansada mas sem sono, no calor do silêncio das palavras e da melodia d’As canções.
Mas os ciclos trocaram-se e é quando o sol se ergue e abro a porta, que o relógio recomeça o seu tic-tac, doendo a cada segundo. Corro, deixando os pesos pelo caminho, enfio-me dentro da cama, tapo a cabeça. É de noite outra vez.
Sexta-feira, Março 30, 2007
Eu e a minha companheira de transportes esperamos pelas 10h num banco de pedra. O repuxo em frente é apelativo na sua coreografia sincronizada de jactos explosivos. Impossível parar de observar e esperar a dança seguinte… princesas, meninas aos saltos, coisas “farfalhudas”…. Tudo vale na nossas imaginação… Certas combinações tornam os ânimos mais efusivos e por mais de 15 minutos é só o que existe… os sons da água consoante a combinação das torres, o trânsito e as manifestações de quem perdeu a paciência com o carro vizinho, o sol quente da manhã, uma nova combinação no repuxo à nossa frente… O fim do mundo está próximo… O FIM DO MUNDO????
Sem que tenha dado conta, pára perto de nós uma velhinha que, julgava eu, queria aliviar a sua solidão ou pedir uma informação. Mas não, vinha tentar oferecer revistas porque o fim do mundo estava perto… Dizia que devíamos aproveitar as coisas belas da vida, ao que lhe respondi, com todo o respeito que merece uma senhora daquela idade, que eu estava a fazer isso mesmo naquele jardim, apreciando aquele repuxo. Parece que não quis saber, fiz notar o meu desinteresse pela temática, e continuei a fitar o meu repuxo, tendo que me desviar um pouco para tal. E continuava a ouvir “fim do mundo”, o “fim do mundo”, o “fim do mundo”… Mas parece que um tal deus estava a oferecer uma oportunidade para algumas pessoas se salvarem! Mas afinal não era o fim do mundo!? Não tinha dito eu que não estava interessada, que só queria ver o meu repuxo!? Não estava já eu a fazer o que queria que eu fizesse por meio das revistas e de um deus?! Não estaria já a “aproveitar a vida”?! (Ou a tentar, já que me tinha interrompido o momento Zen...)
Por respeito à idade da senhora, e tendo já assertivamente explicado o meu desinteresse pela questão, não tentei fazer calar… E no entanto, no meu conceito de respeito, deixar falar sem ouvir é ainda mais desrespeitoso… Permitir que se acredite em algo que eu acho que não existe, é ainda mais, mas quanto a isso, acho que não posso fazer nada…
Já são 10h, vamos?
Quinta-feira, Março 29, 2007
Sim, foi mesmo uma aula de mestrado! A prova é que aquelas quatro horas semearam ideias (tal como diria o meu mestre Carl Whitaker) que estão agora a nascer…
Por um lado, a construção da carta de agradecimento, foi uma Experiência que me colocou várias dúvidas. Primeiro sobre o sentido do agradecimento, sobre a palavra “obrigada” (que eu detesto, mas para a qual ainda não encontrei uma alternativa pragmática), depois sobre as pessoas a quem agradecer (ou “mostrar importância por”), o que dizer, até onde vão as palavras, e ainda, a grande questão:
Serei eu capaz de dizer isto que escrevi, directamente à pessoa!?
Na partilha percebi outras coisas mais… vi que a maioria das outras pessoas têm uma coisa chamada “pais” a quem agradecer, que dão graças por pequenas coisas, que dizem “obrigada”… Impressionou-me quem agradeceu a uma pessoa que mal conhecia e que tinha morrido há poucos dias… Pelo que significou a existência e a morte para toda a família, também ela se sentia agradecida… Percebi que muitas pessoas não tiveram qualquer dificuldade em expressar a sua gratidão, e até o fazem regularmente, e outras estavam mais rígidas nas suas palavras (como eu, talvez…)… Foi portanto, uma partilha interessante.
Porque tudo isto do experiencial que já me fascinava antes, dado ser uma personagem existencial, um “homem absurdo” (como diria Camus), me faz imenso sentido, porque é isso que nos permite Crescer!!
E no fundo, esse é o denominador comum do meu dia e também da minha viagem… evoluir na espiral do crescimento, mas com uma espécie de manto de amor das pessoas de quem me rodeio…
E da terapeuta familiar da escola experiencial/simbólica, que me vai ocupar as próximas semanas, fica:
“We need 4 hugs a day for survival. We need 8 hugs a day for maintenance. We need 12 hugs a day for growth.”
Virginia Satir
Sábado, Março 24, 2007
Quando a noite chegar, leva-me contigo onde vais.
Sabes que o manto escuro e as estrelas me pesam na alma como chumbo… Até a Lua, franca e luminosa, me é difícil suportar quando não estás. Leva-me nas tuas deambulações nocturnas, clandestinos pelo mundo, voando em nuvens de algodão, leves como o vento.
Sabes que é a noite que me esmaga, e me deixa a sufocar no meu próprio sangue, morrendo mais uma vez, até que chegue a aurora. Não permitas que me feche neste corpo pesado e demasiado pequeno para conter todo o meu ser. Procura-me silenciosamente na escuridão, eu saberei quando chegares… e conduz-me ao mundo dos sonhos, que de pesadelos já me sinto eu cheia.
Vamos até ao outro lado do mundo, onde raia o dia! Ver o nascer do sol numa ilha perdida, sentir a manhã de uma grande cidade e o entardecer numa aldeia remota, e voltemos aos nossos corpos só nessa hora, para a realidade onde já brilha o sol do dia seguinte.
Poesia
Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Porquê? :S
Terça-feira, Março 20, 2007
Domingo, Março 18, 2007
Ó vida porque nos dás a certeza?!
Não a certeza dos “factos” que algumas pessoas se gabam de ter, mas aquela outra, que é mais inquestionável e reside dentro de nós, entranhada nas nossas vísceras, ou no nosso “coração” como algumas pessoas insistem em dizer…
Quando nos dizem:
“Segue o que sentes!”
“Quando for o momento saberás!”
É desta certeza que falam… Mas para quê?! O que importa sentir se é vão, tudo em vão, porque simplesmente há outras certezas, e nem sempre do mesmo tipo, que medem forças com a nossa… Que fazer quando simplesmente não conseguimos ignorar e viver a nossa em vida em pleno, porque há sempre aquele pano de fundo que corrói qualquer momento agradável e é denunciado no mais simples sorriso. O que fazer quando não “está tudo bem” e não vai estar enquanto faltar alguma coisa!?
Eu que sempre defendi que a Felicidade devia começar dentro de nós, que não devia depender de factores externos e devia até ser independente destes… Eu que em “deambulismos” adoptei uma concepção menos absoluta do estado nirvanico que esperava alcançar para todo o sempre… E no entanto, neste momento sinto que falta um pedaço de mim e tenho a certeza de que esse bocadinho anda por aí à solta sem querer saber de nada, passeando com as suas “certezas”… e hábitos, arrisco a dizer…
E num só dia, todo o processo de assimilação se foi, em prol desta inquietação, deste coxear pela vida, desta espera desesperançada. E no entanto, como diria alguém no seu comentário, tudo isso é uma droga de que preciso para ser… O não entender O porquê… A espera vã… A corrosão…
E poder viver plenamente um só dia, sem vodka nem extremismos… Só fechar a inquietação e a certeza numa caixinha, sair de casa e correr!!
E continuar a coxear até que me passe a certeza e reinvente uma perna funcional, ou então… Juntar o pedaço que me falta…
Porquê?
Quinta-feira, Março 15, 2007

Quem não tem dia marcado para conseguir, um compromisso a cumprir, um princípio a manter.
Espera melhor quem sabe que não pode esperar.
Quem não tem nada pelo que caminhar, nada que possa ganhar, nenhuma arma para lutar.
Espera melhor quem espera sem ninguém saber.
Quem anseia clandestinamente, quem agarra aquilo que não é suposto ter, quem luta por aquilo que sabe que pode não alcançar.
Espera melhor quem espera por amar.
Quem não se agarra a índices externos, a esperanças vãs e a meras especulações.
Atrevo-me ainda a dizer que tem vantagem aquele que entende o mundo como um lugar onde não seria suposto estar! Assim, todas as pequenas conquistas são grandes sucessos, são feitos da sua única responsabilidade. Que sabe que, por pressuposto, não pode ganhar, alegra-se mais com as vitórias e as esperas não doem tanto, afinal, o mundo não quer que se ganhe!
Espera melhor quem não tem medo de perder.
Espera melhor quem sabe esperar.
Domingo, Março 11, 2007

Só existem bolas de sabão.
Terça-feira, Março 06, 2007
Quando?
Haverá um quando?
Ou estarei condenada a morrer prisioneira do meu próprio corpo?
Domingo, Março 04, 2007
- “Cativar” quer dizer o quê?!
- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. – Quer dizer “criar laços”….
- Criar laços?
- Sim, laços – disse a raposa. – Ora vê: por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti…
[…]
_ Se fazes favor… Cativa-me! – acabou finalmente por pedir.
_ Eu bem gostava – respondeu o principezinho, - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de cosias para conhecer…
- Só conhecemos o que cativamos. […]
- E tenho que fazer o quê? – disse o principezinho.
- Tens de ter muita paciência. Primeiro, sentas-te longe de mim, assim na relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas podes-te sentar cada dia um bocadinho mais perto…
[…]
- Era melhor teres vindo à mesma hora – disse a raposa. – Por exemplo, se vieres às quatro horas, às três já eu começo a estar feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sinto. (…) Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca vou saber a que horas hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito….”
Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho
Para relembrar aos que leram o Principezinho quando ainda desenhavam jibóias a engolir elefantes…
Para mostrar o que se perde quando se vê apenas um chapéu….
Para acordar as raposas da minha vida.
Sábado, Março 03, 2007
| What Your Soul Really Looks Like |
![]() You are a grounded person, but you also leave room for imagination and dreams. You feet may be on the ground, but you're head is in the clouds. You believe that people see you for how you are, not how you look. But deep down, you know that's not exactly true. Your near future is still unknown, and a little scary. You'll get through wild times - and you'll textually enjoy it. |
| Your Inner Child Is Surprised |
![]() |
| Your Personality Is |
You are both logical and creative. You are full of ideas.You are so rational that you analyze everything. This drives people a little crazy! Intelligence is important to you. You always like to be around smart people.In fact, you're often a little short with people who don't impress you mentally. You seem distant to some - but it's usually because you're deep in thought.Those who understand you best are fellow Rationals. With others, you are very honest and direct. People often can't take your criticism well. On weekends, you spend most of your time thinking, experimenting with new ideas, or learning new things. |
| Your True Love's Name Is |
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Sexta-feira, Março 02, 2007
É por isso que não gosto de fechar assuntos em caixas! Prefiro tê-los sempre bem á vista! Porque um dia qualquer, um dia como hoje, podemos ir na rua, cuidando de nossos afazeres, para nos falarem desses tópicos do passado! E se tivéssemos arrumado tudo em álbuns velhos que se escondem nos sótãos poirentos!? E se não tivéssemos deixado apodrecer as flores bolorentas, mesmo à nossa frente, até as conseguirmos deitar para o lixo?! E se me tivesse impedido de viver o que quer que fosse, só para não “voltar atrás”?!
Só se regressa ao passado quando se tranca o passado. Quando isso não acontece, é no presente que estamos, e sempre com um olhinho no futuro.
Hoje o mundo poderia ter-me caído aos pés, mas não. Ficou uma pequena raiva sim, estaria a mentir a mim própria se me afirmasse destituída de qualquer tipo de sentimentos. Eles existem, estão lá, porque as cosias que vivi vão caminhar comigo, como lições ou memórias, ajudando a construir o que sou. No entanto, essas emoções já não me prejudicam. Hoje talvez tivesse pensado “bolas, consegues tudo o que queres!”, e aparentemente não estaria errada. Mas sei que te falta todo um conjunto de competências que te permitiriam lidar contigo, com os “Nãos” da vida, com os outros… Podes ter muitas coisas, mas falta-te ter-te a ti próprio. E é aqui que as gargalhadas, irónicas, mas não maquiavélicas, se soltam no ar à minha volta.
Não sei se algum dia te vais conhecer, se vais poder ser “alguém para os outros” já que ainda não és “alguém para ti”, mas se aí chegares, vais perceber este meu riso!
Mas chega de falar disto anyway! Já são mais palavras do que o assunto merece. Outras “passas” tenho eu para saborear “budisticamente”. Amanhã o sol vai matar a lua, e não haverá luz no meu abismo particular. De facto, muitos eclipses acontecem aqui no meu poço sem fundo! Qualquer astrónomo ficaria fascinado num sítio assim. Talvez um pouco de “total eclipse of the heart” (I can’t help it!!), ou talvez não, aqui fica a música do dia!
Don't know why
(Honey and the Moon – Joseph Arthur)
Ficam por atacar as Raposas da minha vida, que são cada vez mais. Já disse que prefiro o Lobo Mau! Mas essas também não são muito importantes, já que ganhei umas Fadas Madrinhas e uns Merlins também (não podia dizer “Fados” não é?!).
My Dream is catching my nightmares...
Boa Noite!
Domingo, Fevereiro 25, 2007
Sábado, Fevereiro 24, 2007

As pessoas não se lembram de ter visto o mar como hoje… As vagas, gigantes, avançavam apressadas e altas, para rebentar com toda a força logo antes das falésias, erguendo-se muitos metros no ar, quais géisers, à nossa frente! Por todo o caminho, do Guincho a Cascais, se viam prédios de espuma branca que nos faziam sentir pequenos, na nossa condição humana. Os rugidos de Posseidon ecoavam na noite enevoada e fria. Não pude deixar de me aproximar dos jactos de água e olhá-los de baixo, deste meu corpo que habito, apercebendo-me da pequenez de tudo o resto! E o mundo em redor desapareceu e era já só eu e o bramido das vagas que vinham suicidar-se nos penhascos, elevando-se nos céus do quarto crescente. Segundos de espera entre os corpos de água que encorpavam à medida que a maré enchia, um novo urro, um sssshhheeeee da água que voltava ao seu curso… Um nada que somos e um tudo do resto que é. Se uma experiência mística é a anulação do ser, acho que não precisei de substâncias para a conseguir.
Mais um lugar e um momento, que é meu e não é de ninguém, porque eu vivi-o mas deixei de existir, o meu corpo desapareceu, os meus limites confundiam-se com os do céu e do mar, deixando de saber se estava lá alguém mais, além do ser pensante que me sou.
Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007
Hoje estou “fogo e noite”, estou “cada vez mais aqui”… À parte disso, serei sempre um “Nada”… Tento partir a “Casca” porque a minha vida é um constante “Ensaio” como uma casa assombrada. Sou o “Sangue que ficou”…
“Silêncio, lua, casa, chão.”
“Sei ver o sol nascer”, sei ser o que sou no meio das rotinas e convenções, mas no entanto “era eu a esconder-me do que não se dizia”… “Talvez confiar? Esperar?” Mas agora “sem mais contos de embalar”!
Queres lutar com quem?
Para doer aonde?
Para ser o quê?
Achas que ninguém vê?...
E p'ra quê fingir?
Porquê mentir e remar na dor?
Achas que ninguém vê?...
Também eu queria parar...
chorar...
cair...
p'ra me levantar,
p'ra te puxar!
Te fazer sorrir,
não voltar a cair!...
Não me olhes assim,
continuo a ser quem fui!
Cada vez mais aqui...
Não dances tão longe,
que eu já te vi...
Também eu queria parar...
chorar...
cair...
p'ra me levantar,
p'ra te puxar!
Te fazer sorrir,
não voltar a cair!...
Porque hoje acordei a cantar “Eles dizem que é melhor falar e vão falando pra ninguém ouvir! No fim tu sabes onde me encontrar, traz coisas pra destruiiiirr” mas rapidamente Pluto deu lugar a Toranja que é um bom presságio no início do dia…. Pelo menos é mais publicável do que o texto da noite com a Alanis… Mas com essa aprendi que por vezes tenho que ficar nas minhas “Tamanquinhas”, apesar de achar que preciso de mais espaço do que aquele que um 36 me pode oferecer.
Terça-feira, Fevereiro 20, 2007
To big for his clothes
With those dreamer’s eyes
Wishing the stars
Sitting on the moon
Fishing my bad dreams…
.
.
.
[modelo e assistente da fotografia :P Zé Pedro]
Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007
Finalmente fui ao Carmo. O dia estava exactamente como eu desejava, sol, calor, céu azul. Fui passear com a minha amiga, brincando sobre as lamechices do dia, apanhando um solinho, observando as lojinhas alternativas e os músicos de rua. As ruínas não me surpreenderam, era tal e qual eu esperava! Afinal as pilhas não estavam a acabar e as fotos não ficaram nada mal, tendo em conta as limitações da luz e da conhecida HP. Observei, senti, fotografei, sentei-me nas escadas a conversar esperando que a visita guiada saísse para poder fotografar mais. Deitei-me no chão para ter melhores ângulos, rodopiei e fiz rodopiar para a objectiva, fotografei camones a seu pedido, apesar de não terem percebido porque os mandei para um sítio com sol! Subi o elevador, a tremer, gritando a cada degrau, mas fotografei Lisboa lá do cimo, tal como pretendia. Ouvi vários “obrigados” de alguém a quem não ajudei… Ou então um sorriso já é o bastante para um agradecimento. Fiz tudo o que queria, como queria e em boa companhia.

Mas isto é “bom!”, pensará qualquer leitor.
Sim, é bom, mas seria realmente bom não fossem as palavrinhas na cartinha que iam dentro do saco. Não fosse a sensação de impotência perante aquelas frases, não fossem as dúvidas do que trará o futuro, não fosse o “era mau, e ainda ficou pior!”… E contudo, aqueles minutos foram meus e rodopiar no centro de tão imponente formação, faz-nos sentir que tudo é possível, afinal foi o homem que construiu tudo aquilo! Há uma sensação de pequenez também, mas não a mesma que se sente perto de uma cascata, no alto de uma serra ou numa falésia num dia de mar bravo. É diferente porque o termo de comparação foi construído pelo homem, destruído pela natureza, reconstruído pelo homem, inacabado por opção do homem. Ali havia opção. Ali era possível. E no entanto o papel continuava no bolso. Mas o bom dos lugares mágicos, é nos fazerem roubar minutos ao tempo, às suas preocupações e impossíveis.
De volta a casa, o papel continuava a pesar no saco. Cada vez mais pesado. Cada vez maior.
Sábado, Fevereiro 10, 2007
Before you landedI had a will but didn't know what it could do
You were abandoned
And still you're handing out what you don't wanna lose
You make me drop things
Like all the plans I had for a life without you
Someone to die for
Someone to fall into when the world goes dark
Someone to die for
Someone to tear a hole in this endless night
Someone like you
I'm drunk when sober
The room is spinning
You are what I hold on to
You're taking over
I find that giving in is the best I can do
Someone to die for
Someone to fall into when the world goes dark
Someone to die for
Someone to tear a hole in this endless night
Someone
Someone
Someone like you
[Photo by Xia]
Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007
Uma das vantagens de andar a pé à chuva e sem um horário a cumprir, são as ideias que nos ocorrem à mente. E hoje ocorreu-me que devia ter nascido ruiva e com caracóis!
Realmente, um corpo não diz, por si só, quem nós somos, no entanto, ao longo da nossa vida vamos aprendendo a associar certos tipos de características a traços de personalidade. Alguns, são provavelmente influenciados pela própria pessoa, como uma boca desenhada para baixo :( ou para cima :) , resultado das expressões faciais mais usadas; um andar erecto com a cabeça erguida ou mais acabrunhado, respectivamente, uma pessoa segura, firme, ou, por outro lado insegura ou deprimida. Mas há certos traços que nada dizem por si só, e que no entanto associamos a isto ou aquilo.
Não sei se convosco acontece, mas eu sinto que o meu corpo não expressa minimamente aquilo que sou (não, não quero mudar de sexo). A nossa personalidade evolui, mas não o nosso físico. Se evoluísse, eu passaria certamente da meia leca morena de cabelos lisos (lisos, por favor!!) e castanhos, para a ruiva de caracóis e com uma altura aceitável. Não é capricho. Simplesmente acho que tenho um formato demasiado convencional para aquilo que me sou! Cabelo liso esticadinho não fica bem quando ando aos saltinhos ou a cantar pelas ruas. Por outro lado, considero-me uma pessoa séria, sei o que quero (ou quando não sei, tenho plena convicção de que não sei!), sei dizer “não”, e depois não me levam a sério (“já tem carta de condução?!”). Claro que isto é muito potenciado pelo facto de falar de baixo para cima! Nunca ninguém conseguiu ganhar com um argumento, falando de baixo para cima (excepto talvez a Tia de dedo esticado para o abade…). Mas agora até já tenho umas botas de salto! E também já tive o cabelo vermelhinho, só ainda não tenho os caracóis, mas isso também se arranja. Mas devia ter nascido já com estes genótipo, e depois, pela acção da experiência transformava-se em fenótipo… Não?! Vou deixar de andar à chuva. Só ideias parvas… Preciso de Férias!!! E de ser ruiva, com caracóis e mais de 1metro e 70!
Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

Penso então, porque não vimos equipados com uma função de self-timer?! O mundo não tem essa função. Isso tem uma série de implicações.
Primeiro, vemos o mundo de fora. Simplesmente não nos podemos observar a nós próprios sem estar neste corpo que temos que carregar para todo o lado. Sem que alguém nos fotografe ou filme, condições já de si filtradas e pouco naturais, não podemos ver-nos a nós no mundo, de forma neutra. Um self-timer dar-nos-ia tempo suficiente para nos afastarmos da câmara e colocarmo-nos na nossa imagem do mundo.
Seria igualmente útil poder programar o tempo de espera para o “momento decisivo” que neste caso não seria “decisivo”, tal como “decide” Cartier-Bresson, pois não teria a componente espontaneidade. De qualquer forma, poder programar o tempo para aquela situação específica seria uma grande vantagem. Quantas vezes somos confrontados com decisões urgentes, escolhas imediatas e reagimos impulsivamente, nem sempre da forma mais adaptativa?! Ora, se tivéssemos um self-timer no nosso painel de controlo, poderíamos programar essas decisões para dali a 10 segundos, corríamos, arranjávamos o cabelo, a pose, Click!
Quando as cenas são demasiado escuras, um self-timer é do melhor! Tripé, programa-se, foca-se, click! É que temos tendência a tremer e quando a vida é mais negra, é coisa que não se pode fazer! É preciso tempo para apanhar a luz. É preciso parar, concentrar, esperar… E com longos tempos de exposição exigidos por ambientes muito escuros, sem self-timer não conseguimos uma imagem nítida.
Se além do self-timer incorporado, o mundo per se tivesse essa função, poderíamos controlar o nosso tempo e também o das outras pessoas que partilham connosco a vida. Podíamos largar o nosso corpo e voar em lugares mágicos, como o homem do Último Voo do Flamingo que pendurava o esqueleto de noite para poder sonhar sem o peso dos ossos… Não teríamos que nos preocupar com as responsabilidades porque o tempo estaria parado durante aqueles 30 segundos… Viver sem o fardo material e sem preocupações do que há para fazer, ainda que durante poucos segundos, deve ser a maior sensação de liberdade. Não haveria impossíveis. Aqueles segundos eram nossos, podíamos fazer deles o que quiséssemos. O mundo não iria saber. Dali a 30 segundos voltava ao que era e não dava por nada. Não tinha que haver escolha. Se duas coisas são incompatíveis -> self-timer -> faz-se a que poderia ser mais estranha ao mundo -> 30 segundos -> vida “normal”.
Ando a ver filmes a mais?! Ficarei um dia como a Avó Morte?! Não sei… Sei que este espaço-tempo não me chega! Não caibo nele! Estrangula-me as asas! Quero voar!
E tudo isto por olhar para esta foto que o menino Zé me tirou, num momento inventado do tempo, no meio de sebentas e artigos, enquanto eu procurava literalmente o self-timer…
Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007
Domingo, Fevereiro 04, 2007
Vai
Um abraço rápido
Uma carícia breve
Umas mãos que se desenlaçam.
Passos rápidos para o veleiro de onde já chamam.
Não sabes tu,
Como no meu peito se cravam punhais de gelo ao ver-te partir…
E pensar que o teu caminho passaria por mim…
Mas não.
Deixei-te ir.
Não, não deixei!
Só se deixa quem está em posição de ser deixado.
E tu não.
O meu coração deixou-te partir.
Voltas-te para mais um aceno.
Sorrio e retribuo com mais energia do que aquela que realmente tenho.
Gritam por ti.
Apressas o passo.
“Vai!”
Está certo, tudo no mundo está certo.
Abraças os teus companheiros de viagem.
Vai ser uma longa jornada.
Pousas os sacos, agarras o corrimão e levantas a tua cabeça ao vento.
Está tudo pronto para começar.
Toca o sinal.
Acenas-me.
Mas as lágrimas já correm pela minha face.
É tão longe que não podes ver.
Não queria que visses.
Sorri quando decidiste.
Procurei mapas contigo.
Passamos horas com planificações.
E aqui estou eu na despedida.
Vais ser feliz, eu sei.
Solta as amarras.
E os punhais cravam e rodam dentro do meu peito.
Não vou deixar morrer os teus poemas, as tuas imagens, as tuas canções.
Tudo o que és viverá em mim.
O meu amor será teu para sempre, como sempre foi, como é agora.
Ainda que essa viagem te leve necessariamente a outros braços.
Escolheste-os.
Está certo portanto.
Os meus estarão sempre aqui abertos para ti,
Quando quiseres visitar as origens.
Talvez já tenha eu partido para a minha jornada.
Mas os meus braços estão contigo onde fores.
O meu olhar vai estar impregnado do teu olhar,
E o teu do meu, certamente…
Partilhámo-lo.
O meu amor é teu.
Nunca to disse.
Quero saber-te livre.
Quero que faças as tuas escolhas.
Quero que sigas o teu caminho.
Dizer-to era apertar-te uma asa.
De cada vez que voltas aqui, partes confuso.
Egoísta.
A tua presença é em mim a luz no abismo.
Egoísmo.
A minha é para ti a escuridão do incerto.
Oh, mil vezes egoísmo.
“Vai!”
O veleiro é já apenas um vulto no horizonte.
E uma parte de mim vai com ele.
Não quero que deixes nada.
Quero-te livre e feliz.
Tenho-te mais do que qualquer pessoa possa algum dia ter,
Porque te deixei partir.
“Vai!”
Os gritos das gaivotas,
A chuva a cair na terra,
As ondas do mar rebentando nos rochedos,
O crepitar da madeira na velha lareira,
E todos os sons da natureza
Serão recordações.
Lembrança da tua voz calma,
Do teu sorriso tímido,
Do teu olhar acolhedor,
De ti.
Dizer-to ia fazer-te parar no caminho.
Não quero influenciar escolhas.
Escolheste outro olhar, outras palavras, outros braços.
“Vai!”
E no entanto tudo isso continua aqui para ti,
Com a diferença de que já não espera.
Solta as amarras do pensamento.
Corre numa praia deserta ao nascer do sol.
Sobe uma montanha e senta-te no cume ao poente.
Escreve o teu livro no banco do jardim de uma grande cidade.
“Vai” e surpreende-me com um postal daqui a uns anos.
Caminha com o teu mais alto sentido de verdade,
De braço dado apenas com a liberdade,
E pára apenas para olhar uma paisagem
E nunca para ficar.
“Vai!”
O meu amor é uma vela acesa
Mas que de nada serve se não a podes ver.
Resta-me desejar-te
Boa Viagem.
Até sempre.
“Vai!”
[com uns pozinhos de Bittersweet de Within Temptation e um cheirinho de Ausência de Vinicius de Moraes]
Acabei de chegar do teatro... Ainda tenho as luzes, os panos, as palmas, as vozes, tudo, dentro da minha cabeça. Que mundo mágico este que ao soltar os panos finais, solta-nos também, à nossa sorte, para o precicipio das nossas mentes... O Sonho... O Sonho... Dormir...As personagens dançam num cenário imaginado onde os panos escorrem dos céus e acolhem os loucos, escondem os cínicos, testemunham a tragédia. Sonhar... A vida é irónica e tudo culmina no sono. Dormir.
Inevitável deixar aqui alguns dos excertos que mais me marcaram e que não foram difíceis de encontrar...
"Se fôsseis tratar todas as pessoas de acordo com o merecimento de cada uma, quem escaparia da chibata? Tratai deles de acordo com vossa honra e dignidade. Quanto menor o seu merecimento, maior valor terá nossa generosidade." Ato II, Cena II
"...conhecermos bem uma pessoa, é conhecermos a nós mesmos." Ato V, cena II
"Um grande amor nos sustos se confirma".
"As coisas em si mesmas não são nem boas nem más, é o pensamento que as torna desse ou daquele jeito".
Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007
Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. (...)
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."
Vinícius De Moraes
Encontrei este texto enquanto procurava citações para colorir o meu trabalho, que ainda só tem uma página, mas terá mais.
De facto, os amigos são as pessoas com quem partilhamos os pequenos orvalhos da vida e assim, sentem e vivem connosco, mesmo quando não estão realmente ali perto de nós.
Por norma não gosto de definições, e tenho muitas críticas a apontar a esta, principalmente pelo "dever" implícito numa relação em que o único "dever" é não dever nada a ninguém e apenas Ser e Estar. Além disso, o amigo não precisa de gostar das mesmas coisas, pelo menos não de todas, e não tem que fazer "parar de chorar", pelo contrário, pode muito bem estender-nos um lenço como quem diz "aqui pode-se chorar, leva o tempo que quiseres."
É nos momentos em que o mundo parece que vai desabar, porque a vida que julgavamos controlada nos prega partidas, que damos mais valor a estas pessoas. Solto uma gargalhada. Lembro-me dos posts antigos, pedia para ser, para criar, para que as minhas responsabilidades para com a sociedade não me impedissem de percorrer o meu caminho para a realização. Recordo a pirâmide das motivações em que a Realização Pessoal vinha no topo, depois de todas as outras necessidades, e com toda a razão. Porque quando nos falta um desses alicerces, a Realização deixa de ver vista como um objectivo imediato e outras motivações se impõem. E essa mesma sociedade, esse mesmo sistema que me atava os pés quando eu queria correr, tem uma parte de culpa pelo que está a acontecer.
Sim, temos a maior árvore de Natal da peninsula ibérica, tivemos o euro e vamos ter um TGV e outro aeroporto, mas os tijolos básicos, como os serviços de saúde, continuam a não funcionar.
Ainda assim, o raio da sociedade e as suas convenções, a treta do sistema e das prioridades do estado, tudo isso pode faltar se tivermos perto de nós pessoas a quem possamos chamar de Amigos que nos digam que vale a pena viver mas não necessariamente porque a vida é bela.
Asas cortadas, aqui vou eu em queda livre para a incerteza do que me espera.
Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

A encosta do Castelo dos Mouros... Um dia hei-de chegar aquela casinha pequenina que fica logo no cimo...
E de Sintra também faz parte o fim de tarde perto da pedra de Alvidrar, ondem dizem que há um gigante. Antigamente o tribunal era aqui. Atiravam-se as pessoas arriba abaixo e se fossem inocentes sobreviviam (e ainda há quem diga mal da Justiça de hoje em dia...).
A Praia Grande não podia faltar! Lugar de bronzes, ondas, passeios, noites de conversa... Esta foi tirada do cimo das escadas, logo depois das pegadas de dinossauros.

Sintra não era Sintra sem a Quinta da Regaleira, e essa só quem conhece é que sabe o que significa...

A cascata...

O Portal dos Guardiões, logo depois de um dos túneis...

Monserrate, outro dos meus lugares... Quantas e quantas sessões de fotografia, já para não falar nos lanches de 6ª feira, quando eu e o meu primo eramos miudos e rebolavamos no relvado...
Em dias de festa, colocavam aqui um pano (vermelho ou azul, os investigadores ainda não se decidiram) para que o ambiente fosse mágico dentro do palácio...

O Palácio.

Uma janela em detalhe...

A capela destruída, onde o Senhor pedia aos criados para acender o lume à noite, para poder contar histórias da bruxa que vivia na floresta...

Nos ultimos anos, Sintra tem tido também Feiras Medievais. Esta foto foi da última feira, realizada em S. Pedro (gostava mais quando era no Palácio da Vila).

A Pena vista da Regaleira.

Qualquer roteiro de Sintra tem que incluir a Linha, pois está claro! Todos dizem que estar em Sintra é uma aventura e é-o ainda mais se se vier de comboio!

Uma das ruelas, com o Castelo ao fundo.

Detalhe das chaminés do Palácio Nacional da Vila de Sintra.

A fonte mourisca que está sempre ali a jeito depois de comidos os travesseiros na Volta do Duche.

Eu não seria eu se não passeasse por Terras da Ericeira, pelas suas ruas de calçada e as casinhas características, sem estacionar o carro ao lado de um barco ou correr atrás das gaivotas.

Tive que considerar também Cascais, pois o Gelado Santini faz parte...

...e o fim de tarde no Guincho, ver os pescadores à "caça das lulas" ou simplesmente deitar-me nas rochas da Boca do Inferno em dias de mar bravo e ficar a ouvir.

Mas sem dúvida que Lisboa também é a minha terra, por tudo o que tenho dito aqui no blog e também por tudo o que não é dito...
I don't know why
But I cant seem to find the right melody today
I can't make the words fit how I feel
I don't know when
Was the last time that I slept the whole night through
And when morning comes around
I feel tired
I woke up from the strangest dream
With a dancing dog and a beauty queen
They said nothing, nada, niente
I'm empty
But Your here and I'm here
So I stop complaining it could be raining
And I see the answer in your eyes
Your here and I'm here
I keep on singing just keep on singing
Singing
Do you know why
I cant seem to find the right melody today?
Can't make the words fit how I feel
Do you know when
Was the last time that I slept the whole night through?
Another morning comes around,
I feel tired
I drive down to the rodeo
Gonna ride a bull in a video
But nothing, nada, neiente.
I'm still empty
But your here and I'm here
So I stop complaining it could be raining
And I see the answer in your eyes
Your here and I'm here
I keep on singing just keep on singing
Singing singing singing
Skye Edwards -- Stop complaining
[photo by me - Cascais by night]
Uma amiga minha costuma dizer “As coisas que se descobrem em época de exames!”, na realidade é altura de aproveitar para fazer tudo menos o que temos urgência em fazer. Há uns dias tive uma “daquelas” conversas, em véspera de exame, durante a qual me diziam assim:
“As pessoas já não convidam as outras para fazer coisas estúpidas!”.
Coisas estúpidas como ir à caixa geral de aposentações e ter 300 pessoas à frente a uma hora de fechar, ou combinar o dia de ir acampar para o centro de saúde, procurar uns sapatos que não existem ou ir pagar uma conta. Realmente, nos centros urbanos (era sobre isso a nossa conversa) as pessoas fazem todas essas coisas chatas e mundanas sozinhas. Assim, acabam por guardar um pouco do seu tempo para “convidar”, oficialmente e com telefonema antecipado, os outros para ir ao cinema, teatro ou simplesmente sair à noite.
Ora, todos se queixam da falta de tempo, então porque não aproveitar essas horas e horas passadas a fazer coisas aborrecidas com alguém interessante em vez de esperar pelo “café” marcado para o fim-de-semana seguinte?!
Esses momentos, essas tarefas ou os “recados” como lhes chamo muitas vezes, por serem pedidos cá de casa, também são parte de nós. Quem já foi comigo à procura de calças sabe do que estou a falar. Além de serem partes de nós, podem ser também um desperdício de tempo. Já tentaram levar a bela da sebenta para o centro de saúde ás 7horas da manhã!? É impossível fazer render aquelas horas com os concursos do “quem quer ter mais doenças!”.
Penso também nos casalinhos, até porque vem aí o S. Valentim e já começa a irritar sem ter começado. Os namorados que fazem todas essas coisas chatas sozinhos para depois terem a tarde de domingo para ir ao cinema, dar milho aos pombos ou passear na praia. E conhecer as pessoas na sua vertente “vítima da burocracia e do mau funcionamento do país”?! E a dimensão “procurar os sapatos que não existem”?! E a secção do “tenho que encontrar uma prenda para a minha amiga, SOCORRO!”?! E a parte do “vou ao médico de família! SOS!”?! Tudo isso faz parte das pessoas. Grandes cumplicidades se criam nestes momentos, principalmente quando as pessoas estão a fazer a mesma coisa.
Além do aproveitamento do tempo e de serem partes da vida das pessoas que podem ser partilhados, além de tudo isso, duas cabeças pensam melhor do que uma! “Olha aquela caixa! Vamos ler o que lá diz! Olha afinal podes por aqui os teus papéis e escusas de esperar pelas 300 pessoas à tua frente!”. E pronto, lá vão elas passear.
Nós não somos só cinema, passeios, borga, jogos de futebol, cafés… Somos cidadãos de Portugal que esperam horas e horas em filas, que preenchem resmas e resmas de papel só para pedir um alfinete e que passam de funcionário em funcionário porque nunca ninguém sabe nada nem viu nada. Além disso, vivemos num mundo materialista e temos que fazer compras, e como somos exigentes, às vezes é complicado, como as caixas estão sempre cheias, levamos muito tempo a fazê-las…
Por isso, aproveitem tempo, partilhem momentos, divirtam-se!
Terça-feira, Janeiro 30, 2007
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Não sei há quanto tempo ando em círculos. Primeiro em pânico. Quem não entraria em pânico ao acordar no meio de uma floresta?! Gritar por ajuda. Puxar os cabelos. Atirar-me para o chão. Recomeçar de novo.
Parece que passaram já muitos anos desde que me senti assim. Na verdade, agora estou calma. Já conheço a floresta e sei para onde quero ir. Só não estou ainda certa quanto ao caminho. As cabeleiras fartas das grandes árvores passaram dos verdes aos alaranjados. Fui conhecendo os seus ciclos e assim tornei-me sua amiga. Esperei o tempo necessário até que os meus medos voassem com o vento, pois nunca conseguiria ver o caminho dessa forma. E estou quase pronta. Não sei se vai aparecer algum sinal que me diga para começar. A única saída plausível é aquela cheia de silvas e mato. Quanto terei que sangrar para chegar à pequena casa do lago?! E se a casa está vazia e foi tudo um sonho!?
O bom de estar sozinho são os sonhos. São mais coloridos e ricos, têm mais esperança e calor. De quanto tempo precisei de andar às voltas nesta floresta de caminhos intransponíveis!? Quanto tempo até percebermos que pode não existir uma seta a indicar a direcção e um caminho largo e seguro para percorrer?! Quanto tempo para fazer as melhores escolhas!?
O tempo que for preciso.
Levanto-me, abraço o tronco gordo da árvore que me acolheu e partilhou comigo as histórias intemporais que lhe correm na seiva. Está quase. Só espero um sinal. Quando vir fumo no ar, saberei que posso começar a caminhar pelo carreiro outrora temido.
...e se não estiver ninguém na casa do lago?
É só esperar até avistar o fumo.
...e se estiver vazia?
A lareira será acesa….
…morrer aqui com a grande árvore.
O sinal.
Domingo, Janeiro 28, 2007

“Tem cuidado!”
“E se…?!”
“E já pensaste se?!”
“Sabes que…”
“Tens noção de que isso não pode continuar assim”
Os meus últimos dias… E nem sequer posso responder que sei o que estou a fazer, porque realmente não sei! Conversas sobre o que é certo e o que é errado. Para mim isso é relativo! Sou incapaz de discernir onde acaba um e começa o outro. Já dizia Herman Hesse (acho eu) que “uma boa acção é aquela que assegura bem-estar a um maior número de pessoas.” Vejam só “a um maior número”… Temos a boa acção A, B, C… Qual a melhor?! A que tem mais vantagens para mais pessoas… É tudo tão relativo, não me venham com bom e mau, nem com relações "insustentáveis"… A ambiguidade é a minha casa, e segundo o modelo de Beavers, a ambiguidade percebida e respeitada está no funcionamento óptimo do sistema.
A minha mente deambulatória não conhece dicotomias, não percebe acções certas e erradas, a única coisa que sabe é se se está a sentir estimulada, desafiada, criativa, feliz… Realizada. É essa a linguagem que eu entendo. “Não me venham com conclusões, a única conclusão é morrer! Não me tragam estéticas, não me falem de moral, tirem-me daqui a metafísica!” Deixem-me ser EU!!! Com as consequências também lido eu!
Para onde é que tenho que ir para poder ser EU?! Tornar-me eremita?! Pois, mas e aquele “pequeno” senão da minha existência depender das pessoas?! Preciso de as ter por perto, de estar com elas, para ser eu (se bem que me culpo por não dispensar a atenção merecida a todas, mas isso ficará para outro post) … Mas elas preocupam-se e lá vêm os:
“Tem cuidado!”
“E se…?!”
“E já pensaste se?!”
“Sabes que…”
“Tens noção de que isso não pode continuar assim”
Já que não ouvem os meus gritos, pensem nas minhas palavras… Se deixar de fazer o que me apetece, se deixar de ser verdadeira com aquilo que sinto e com que quero fazer, se passar a fica com “Ses” na cabeça, toda a minha existência perde o sentido.
Quando o mundo desabar em mim, sei para onde correr, sei que vou ouvir um “eu bem te avisei”, mas agora deixem-me Ser…
Posso estar a exagerar, estou a exagerar. Estou mesmo a exagerar! Talvez seja o cantinho recalcado da minha mente, onde enfiei a “moral”, que está a tentar aparecer. Moral… um conjunto de normas de uma sociedade… Desde quando é que me submeto a isso?!
É bom voltar aos meus lugares. Como citei outro dia “Para onde vamos afinal!? Sempre para casa”…. Deixem-me ir para casa.
Ó parte do cérebro conspurcada pela sociedade: deixa-me tomar o meu caminho para casa.
Deixem-me falar de ideias e não do tempo e do trânsito.
Deixem-me estar com as pessoas de quem gosto sem pensar em consequências.
Deixem-me escrever coisas sem sentido (“és sempre livre de escrever coisas sem sentido ou de rasgar as páginas”…)
Deixem-me estar em silêncio (mania de achar que o silêncio é mau. Silêncio é SÓ a ausência de som).
Deixem-me andar à chuva sem me gritarem gripes e pneumonias (podem só oferecer-me o Ilvico).
Deixem-me cantar e dançar e correr e pintar e gritar… como se não houvesse amanhã.
Deixem-me “falhar”.
Deixem-me fazer coisas imperfeitas.
Deixem-me seguir o meu caminho para um Felicidade qualquer.
Deixem-me Ser.
[photo by me, num dos meus lugares, com uma "daquelas" Pessoas, numa manhã de chuva e NEVE, lentes molhadas, passagens proibidas, cavalinhos virados do avesso (seaté os cavalos andam baralhados, como é que eu hei de estar "certa"?!)... Umas horas de Eu...]
Sábado, Janeiro 27, 2007
ontem estava a escrever uma coisa bonita, eu e a calçada, os meus passos na calçada e tal.. mas não passei do primeiro parágrafo... porque será?! =)
E hoje não estou propriamente inspirada, até porque ando a aprender uma arte nova, já piquei os dedos e tenho o quarto em pantanas outra vez! mas estou contente :D Depois mostro coisinhas!
Hoje vou só deixar uma música potentissima... Muito mesmo! a voz, as guitarras... apetece pôr no máximo e desatar a correr pela rua sem destino!
Já há muito tempo que não há dedicatórias (explícitas) aqui, mas hoje esta vai para a minha Lud... Olha o menino Chris Cornell no aeroporto....
If you take a life
Do you know what you'll give?
Odds are you won't like what it is.
When the storm arrives
Would you be seen with me?
By the merciless eyes i've deceived
I've seen angels fall from blinding heights
But you yourself are nothing so divine
Just next in line
Arm yourself because no one else here will save you
The odds will betray you
And i will replace you
You can't deny the prize it may never fulfill you
It longs to kill you
Are you willing to die?
The coldest blood runs through my veins
You know my name
If you come inside
Things will not be the same
When you return to my eyes
And if you think you've won
You never saw me change
The game that we have been playing
I've seen diamonds cut through harder men
Then you yourself but if you must pretend
You may meet your end
Try to hide your hand
Forget how to feel (forget how to feel)
Life is gone
At just a spin of the wheel (spin of the wheel)
You know my name
Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
Até hoje encontrei muito poucas pessoas capazes disso. A maioria fá-lo quando tem a desculpa de já ter bebido um copo, mesmo que ainda não tenha feito o devido efeito.
Parece que as pessoas se preocupam em parecer louquinhas e por isso não se exprimem. Será por isso que não se compreendem grandes artistas que acabam com rótulos de “doidos”?! Não serão eles apenas pessoas que exprimem os seus sentimentos, o seu self sem se preocupar com a opinião dos “outros”?! Talvez por isso sejam artistas! Quem se reprime não poderá criar uma obra controversa e são elas que definem os grandes artistas.
Gostava de, um dia, andar a passear pelas ruas de uma cidade, como Lisboa, como uma rua apinhada de Lisboa, depois de ter entrado nas lojas e experimentado roupa extravagante só para rir uns dos outros, como fazemos por vezes… E nesse dia, depois de jactos de palavras alucinadas, alguém me puxar a mão para dançar ao som de uma guitarra ou um jambé, ou mesmo da carrinhola do fado onde outro dia estava a tocar o Batel da Dulce Pontes, e com a qual eu cantei também… E depois dançávamos, eu com os meus pés de chumbo que serviam somente de razão para mais gargalhadas, sem querer saber de quem parava para olhar a nova modalidade de “pedintes”. No meu sonho elas acabavam por moedas no chapéu dos músicos, mas na realidade provavelmente seguiam caminho a pensar que todas as pessoas deviam ser “civilizadas”. Pergunto-me onde vai a civilização com tão falso “bom senso” e tanta capacidade de fingir. Que grande futuro de actores.

Gosto de cantar pelas ruas, trautear as canções que me ficam no ouvido, ou acompanhar as que ouço por uma janela ou de um carro. Gosto ainda mais quando alguém junta a voz à minha, sem medo dos pensamentos dos outros. Também grito quando as palavras não chegam. Só conheço mais uma pessoa sem medo de gritar seja onde for. Ponho-me então na mente de quem não me conhece e lê este texto… Imagino que estaria a pensar: “Se toda a gente andasse para aí a gritar ou a cantar não faltaria!”. Talvez se as pessoas realmente pudessem protestar em vez de calar e “engolir sapos”, se soubessem comunicar, elas já não precisariam de gritar. Mas estas são conclusões à posteriori. Gostava de encontrar mais genuinidade e menos máscaras do socialmente correcto. E realmente penso que é parvo preocuparmo-nos com o que os outros dizem ou pensam de nós, até porque:
Yuppie!
Mais um fantasminha vaporizado pela minha bazuca carregada com
tempo, experiências, perspectivas e, claro, vontade!
Ok, perdi (temporariamente?) inspiração para criar assim para o “dark side”, mas agora também não me apetece! Inspirações deprimentes não hão de faltar! E agora já posso revisitar e reinterpretar os “lugares” do passado que faltavam.
AHAHAHAHAHAHAH
A vida é irónica! Para quê acreditar em destino quando o acaso tem tanta piada! (oh, não, lá vem a Alanis… Amiga, cala-ti! Tu ficas para depois!) Já percebi que hoje é um mau dia para ficar em casa a estudar… But it has to be!
Stoppin' The Love (click, click :P)
So you think it's funny
That you keep calling me all of the time
everyday
Oh honey
Don't want to be following and falling behind
If you're gonna be walking away
And I don't know
Why I wouldn't follow
Wouldn't follow
You got me looking up
Even when I'm falling down
You got me crawling out of my skin
You got me wondering why
I am underneath this big old sky
Stopping the loving getting in
Stopping the loving getting in
Now you say it's easy
That you been falling for all of my charm
And getting lost in my smile
Never ceases to amaze me
When I'm chancing my arm
That I still do it with style
And now I hope
You'll be with me tomorrow
With me tomorrow
You got me looking up
Even when I'm falling down
You got me crawling out of my skin
You got me wondering why
I am underneath this big old sky
Stopping the loving getting in
Stopping the loving getting in
You got me looking up
Even when I'm falling down
You got me crawling out of my skin
You got me wondering why
I am underneath this big old sky
Stopping the loving getting in
KT Tunstall (revisited :P)
And by the way, "Find yourself another place to fall!", because it "heal over"!
Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Andava aqui a acabar as leituras sem nunca acabar de contemplar as imagens de Augusto Brázio (colectadas num "Olha para mim" e oferecidas por alguém que me é muito querido, e sim, o senhor da senha n.º 2 pode avançar) e pensei em escrever um pouco sobre o significado atribuído aos retratos frontais ou de perfil. Em como os primeiros criam uma forma de idealidade, têm uma ligação com o sagrado e o peso das relações subjectivas, são intemporais e universais e correspondem aos rostos humanos “sem data nem lugar”. Já quem se deixa fotografar de perfil tem um “papel de reinante”. Estas imagens são consideradas profanas, segundo esta tipologia de Calabrese (seja lá quem for), mais ligadas ao concreto e a um contexto histórico e, portanto, singulares. Depois comecei a pensar na intemporalidade de muitos retratos de perfil que já vi, e avancei umas páginas.
Cheguei então a um excerto sobre a pose… e como a pose pode ser natural ou não e de como usamos a pose no nosso dia-a-dia para dar impressões de nós… E das pessoas que “imprimem” na pose e as que “não imprimem” deixando derreter a máscara. …
”Mas depois aquele que vai ser retratado tenta compor uma personagem e o excesso de artificialismo acaba por ser nocivo”… “excesso de sorrisos”…
Bang!
Desde pequenos… Estamos a comer e a sujar tudo à nossa volta, estamos no banho ou a andar de baloiço e vêm os avós, os pais, os tios, com as intrusivas câmaras e o que é que eles dizem???
“Olha o passarinho!!”
E a criança ri mesmo sabendo que nunca vai encontrar o raio do passarinho de que lhe falam! Ri porque imagina um passarinho a sair da câmara! Ri porque é criança!
Esta é a parte fácil de fotografar as crianças, porque elas estão sempre a rir no seu mundo fantástico e inocente!
Depois começa a ser mais complicado rir com passarinhos, e no estúdio, nos casamentos, baptizados, festas de anos, o fotógrafo tem que dizer “sorria!”.
Questão: Porque raio têm as pessoas que ficar a sorrir nas fotografias?!
Para as pessoas guardarem momentos “felizes” e mostrar aos filhos e aos netos?! E quantos fretes já fiz eu em casamentos, baptizados e sítios onde não queria estar e ainda me fizeram “sorrir”! E depois vão poder dizer “foi um dia tão bonito! Estavam todos tão felizes!” baaah Eu não vim ao mundo para alimentar egos alheios!
Há pessoas que não gostam dos meus retratos, porque não são a cores e as pessoas não riem. Eu prefiro capturar a essência do que a pessoa está a ser naquele momento e registar sem avisar. Se a pessoa não está a sorrir é porque não quer, não lhe apetece, não tem razões para isso! Quantos retratos lindos já vi de pessoas em introspecção?! Mas aprece que muitas pessoas continuam a preferir a pose, muitas vezes fútil e egocêntrica, do sorriso, em vez de um perfil pensativo, um rosto com lágrimas, uns olhos que gritam….
Não me interpretem mal, gosto de capturar um bom sorriso espontâneo ou uma gargalhada que se ouve na imagem. Mas não gosto do “sorri” convencional. Aliás, não gosto de coisas convencionais! Não gosto de pessoas que estão sempre a rir como se o mundo fosse cor-de-rosa! Tirem os óculos! Não gosto de pessoas que não aceitam as lágrimas, o olhar vazio, o sorriso descaído, como se achassem que ninguém no mundo tem o direito de não estar “contente”.
Gosto ir ao fundo da pessoa e expor-lhe a essência. E só posso fazer isso, se dentro dela, o seu espirito me disser:
"Olha para mim...."
Hoje deixo uma foto de um dos meus fotógrafos favoritos, Cartier-Bresson. Um artista da simplicidade e dos “momentos decisivos”. E porquê?! A nossa mente não é tabula rasa e é impregnada por diversos acontecimentos, pessoas, conversas. Ultimamente tenho andado a recolher imagens dele e ontem alguém me manda o homem a correr na poça da água :P E aqui está mais um registo seu!
Sábado, Janeiro 20, 2007
- Ó Professora, mas, mas… Nós sabemos isso, treinamos… mas imagine que andamos com alguém e… O que é que fazemos?! Deixamos a folha num sítio estratégico?!
É difícil desenraizar hábitos de comunicação, muitos deles com origem nas nossas famílias e mantidos durante toda uma vida. Mas tomar consciência será sempre o primeiro passo de alguma coisa!
Ora, Treino e Erros de Comunicação que vêm sobretudo dos Axiomas da Comunicação Humana (as coisas giras que eu ando a estudar!! Têm que servir para alguma coisa!):
- mostrar apreço pelo outro
- procurar entender, em vez de mudar a posição do outro
- falar sobretudo em termos pessoais, com frases na primeira pessoa
- usar farses do género XYZ: Quando fazes X na situação Y, eu sinto Z
- Não esquecer os indíces não verbais
- OUVIR
- Validar
- não fazer leitura de pensamentos, perguntar em vez de presumir (“humm, para vir com chocolates, deve estar a tramar alguma!”)
- manter as mensagens breves, dirigidas ao ponto fulcral, em vez de ir buscar acontecimentos que incomodaram no passado (“Sim, porque, quando há 3 anos, na Caparica, sacudiste a toalha e eu fiquei cheia de areia… Fiquei mesmo irritada!” o melhor exemplo de falta de imediaticidade)
- discutir o problema, em vez de logo a solução
- marcar a ocasião futura para discussão do assunto
- desenvolver o “having fun toghether” (rir de si próprio e da relação: “Olha para nós!")
- não pessoalizar, ou seja, criticar a pessoa em vez do acontecimento (“Tu és sempre a mesma coisa!”, “Nunca fazes nada do que te digo!”, “Toda a gente diz que tu és assim”)
- evitar padrões interactivos disfuncionais: Agenda Secreta (“a minha colega disse que o marido que lava a loiça”), paradoxos (“Eu deixo que seja ele a decidir!”), “sim, mas…”
- evitar atitudes defensivas mas instigadoras e culpabilizantes (começar a chorar)
- abandono do terreno (“A conversa acaba aqui!")
E por aí fora… uma série de coisas que por vezes fazemos sem dar conta, mas que nos irritam particularmente quando são os outros a fazer contra nós.
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Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca
Uma vez disseram-me que eu não podia ser poeta, porque "Ser poeta é ser mais alto" e eu sou pequenina. Enfim, é assim que eu vejo os poetas e a forma como se pode descrever o mundo quando se está apaixonado pela vida. Espero que vos saiba bem relembrar e, quem sabe, cantarolar o que estou a ouvir agora.
Isto hoje está complicado nesta cabecinha deambuladora. Conflitos entre o que tenho que fazer, o que consigo fazer e o que QUERO fazer. Tirem-me daqui e levem-me a passear pela areia molhada da praia, através das ruas da vila, por entre as árvores arciãs da serra.
Quero amar tudo e só tenho artigos à frente.
(Viva a Bolonhesa!)
(Photo by me)
By my own....
Cada passagem da brisa pelos meus cabelos é uma carícia de liberdade. O calor do sol na minha cara, é uma confirmação de independência.
Acelero de vidros abertos, sinto o vento e a maresia, vejo o mar, bravo, forte, a bater nas rochas, como um espelho de luz no fim de tarde. Sinto-me feliz por estar sozinha, por minha conta, sem justificações racionais a dar.
Sinto-me frustrada por tudo o que abdiquei para estudar para aquele exame, mas isso não importa! Foi uma decisão minha, da minha responsabilidade e portanto as consequências também são minhas!
Tudo me cheira a independência e autonomia (e a egoísmo também, talvez).
Gostar sem “ter que”.
Estar com só porque quero.
Dizer só e o que me apetece.
Pensar em ti apenas porque existes e eu existo.
Não querer nada e querer o mundo inteiro.
É como estar apaixonado sem um alvo e amar cada árvore e cada onda do mar, pela sua simplicidade e individualidade.
E, ficar assim ao sol e fechar os olhos... só eu comigo mesma... sem quandos nem porquês.
Sábado, Janeiro 13, 2007
Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
"Maybe you want her maybe you need her
Maybe you started to compare to someone not there
Maybe you want it maybe you need it,
Maybe it's all you're running from,
Perfection will not come
Sometimes the hardest thing and the right thing are the same"
lá lá lá :D
THE FRAYYY
(vááá... eu depois escrevo coisas de jeito, agora não me apetece pensar :P "Everyone knows I'm in Over my head, Over my Heaaad!")
Quarta-feira, Janeiro 10, 2007
O nosso cérebro diverte-se a pregar-nos partidas...
Nos últimos dias, quando estou a conduzir e levo à pendura a Antena3, tenho ouvido uma música que me chama à atenção, por algo mais do que a letra ou a melodia... Todos os dias penso "vou chegar a casa e investigar" e acabo por me esquecer. Mas hoje não...
E assim que clicko no "Procurar" percebo a razão deste interesse na música: faz parte da banda sonora da Grey´s Anatomy e andava a passear na minha mente, qual mensagem subliminar!
É verdade, eu que raramente vejo TV, até porque acabou o Criminal Minds e o Gato Fedorento só dá ao Domingo à noite, eu gosto de ver esta série de internos destranbelhados e "chefes" ainda piores! É de destacar o neurocirurgião oficial do CEP que além de ser lindo, interessante e criativo (meninos, aprendam com ele) tem aquela tendência caprina comum nos homens. (Ups, por momentos pensei que estava em outro blog...)
enfim...
Some people really know how to save a life!!
Eu sinto que todos os dias sou salva por alguém! Há quem acredite em deuses, eu acredito nas pessoas.
...
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life
...
The Fray - How to Save a Life (click)
Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
Há Amigos e Amigos…
Soa-vos familiar?!
E porque razão isto funciona para umas pessoas e não para outras?! Ao longo da vida vamos fazendo amigos, por onde passamos. Às vezes consideramos um “melhor amigo” numa dada época, mas mesmo esse pode passar na rua, tempos depois, e não nos cumprimentar, ou dizer um “olá” pensando “Falo-lhe ou não!? Será que me reconhece?!”. No entanto, outros (“melhores amigos” ou não) mostram-nos o seu melhor sorriso e a conversa começa a correr como se se tivessem aberto as comportas do rio.
Ás vezes reencontramos pessoas com quem não estamos há muito e falamos sobre os nossos “grupos” de outrora, onde andam as pessoas, o que estão a fazer… Outras vezes apenas paramos para pensar naqueles que passaram na nossa vida. Temos necessidade de ligar a uns e combinar saídas, mas não a outros, também amigos, mas que por qualquer razão achamos que a nossa proposta vai parecer “fora de tempo”.
Há relações para as quais o tempo não existe.
Outro dia diziam-me (e desde aí fiquei com a vontade de escrever dobre isto) “já não podemos falar dos mesmos assuntos, não podemos rir das mesmas pessoas! Quando estamos juntos já não é igual.”. No entanto, continuam a existir amigos intemporais, e cada parte sente isso, principalmente no reencontro.
Fiquei então a pensar qual seria a diferença entre estes dois tipos. Amigos de época e Amigos intemporais.
Qual é o tipo de relação com estes amigos?!
Somos colegas e vamos para a borga todos juntos?! Falamos sobre pessoas e alguns acontecimentos?! Talvez sejamos até um grupo fechado, com as nossas questões e as nossas actividades circunscritas.
Aqui, quando o grupo se dilui (mudança do factor comum que funcionava como “cola”), e as pessoas se afastam, muitas vezes não faz sentido “combinar” mais saídas, ou combinam-se no mês seguinte, mas rapidamente esse “hábito” se desvanece (querem melhor exemplo do que os jantares de turma?!). Ainda que não seja um grupo, mas uma pessoa isolada, com quem falamos de pessoas e acontecimentos, como é quando a reencontramos?! “o que estás a fazer agora?!” e pouco mais. Esses acontecimentos já estão no passado, bem como as pessoas que constituíam os temas de conversa. As “borgas” e actividades do grupo só faziam sentido naquele contexto, com aquela “cola” que já passou de prazo. Lembro-me ainda dos amigos periódicos, com quem estamos numa determinada época do ano, nas férias ou nas terrinhas. Não faz sentido estar com eles fora dessas circunstâncias, embora sejam muito amigos quando estão juntos. Estes são os amigos temporais.
Depois há os outros com quem falamos, certamente, de pessoas e acontecimentos, mas, mais do que isso, de ideias… e as ideias nunca passam de época e, melhor do que isso, estão sempre a evoluir! Quando mais tempo passamos afastados, mais ideias formamos e aperfeiçoamos, por isso não só há sempre conversa, como esta partilha é sempre produtiva permitindo o enriquecimento dos dois lados (ou mais). Quando reencontramos estas pessoas sabemos que elas vão estar ali como dantes, porque o tempo não mata ideias. Não importa onde vamos estar ou com quem, porque estas relações não dependem de factores externos (profissionais ou relacionados com actividades), ou então já dependeram e ultrapssaram esse contexto. Penso nisto como um mecanismo adaptativo: se não existissem estas relações constantes ao longo do tempo, teríamos que estar sempre a começar relações novas e a lutar constantemente para as manter depois de derretida a cola (isto se fizesse sentido lutar). Os amigos intemporais não lutam, estão connosco ao longo da nossa jornada e vão aparecendo de vez em quando, quando o acaso ou as partes se lembram, mas, acima de tudo, sem esforço.
As tipologias ajudam-nos a organizar o mundo, mas ele é bem mais complexo do que isso. Foram estas as conclusões a que cheguei depois de analisar os meus “amigos de sempre” e aqueles (não menos amigos) cuja relação era e é sujeita a contingências.
"Não fiques desanimado com as despedidas. Uma despedida é necessária antes de poderes ter um novo encontro. E um novo encontro, após momentos ou tempos na vida, é certo para aqueles que são amigos."
Ilusões, Richard Bach
(*) Estava eu com o documento de Word aberto e este texto começado, quando me dizes isto… E ainda há quem não acredite da cumplicidade dos gémeos… ;)
(Photo by me – Cumplicidades)
Quinta-feira, Janeiro 04, 2007
Levantei-me cedo, como há muito não fazia, e saí de casa ainda era noite.
Já na rua, olhei em volta, procurando a fiel guardiã que vela os meus sonos ou as minhas deambulações nocturnas. Lá estava! Por detrás dos ramos altos dos pinheiros, envolta num espesso nevoeiro, brilhava gorda e feliz.
E como li ontem à noite:
É próprio do homem "desejar a Lua e ignorar a moeda caída aos nossos pés."
...conclusões tardias de um dia em "cheio".
Domingo, Dezembro 31, 2006
Um ano a acabar e outro, novinho aí à porta...
É inevitavel fazer balanços nesta altura.. Perceber onde temos andado e para onde vamos... Claro que podemos parar em qualquer altura e pensar na vida e naquilo que queremos dela. Mas tomamos sempre os anos como referência, basta lembrarem-se dos vossos avós, quando contam histórias: "Foi no Verão de 1952..."
2007... E agora?! O que fazer com mais um ano?!
Que sítios visitar nesta jornada?!
Nas palavras de Novalis:
Quarta-feira, Dezembro 27, 2006
Mais um Natal que passou...
Bem.. Nunca é só "mais um"... Cada Natal tem as suas particularidades... Tem aquelas pessoas e aqueles presentes...
Este Natal recebi um "registador de tempo", para marcar "momentos significativos", como me disseram... E lá vem ele.. O tempo.. esse que escasseia e não nos deixa fazer tudo quanto queremos...
O tempo é aquilo que nós fazemos com ele... E eu fiz um mocho!
Domingo, Dezembro 17, 2006

Não te conheço.
"Não é possível conhecer alguém que se ama, porque a relação de amor é a relação que mais distorce a realidade."
Não me conheceste.
Ilusões de uma realidade que nem sabemos se existe...
Amar é estar iludido... Quando as brumas decidem começar a afastar-se, e aquele sorriso que se amou, parece ridículo e despropositado, achamos que a ilusão se está a desvanecer. Afinal estamos apenas a entrar noutro estado de ilusão... Curiosamente, este parece-nos mais "Real"...
"É como se o amor estivesse decomposto em pequenos pormenores que, hipervalorizados, levam ao desamor."
Debatemo-nos por não entrar no país das fadas, onde o tempo se demora nas delícias da vida, por medo de voltar, meses, anos depois, sem dar conta. É que quando voltamos o mundo já mudou. As escolhas que pareciam tão certas, agora não fazem o minímo sentido... Perde-se quase tudo o que se dá. Como poderei eu ter gostado de alguém assim?! A resposta é simples... "porque sim!". E "o acaso dá para viver toda a vida acasalado". Curiosamente procuramos sempre os porques...
E lutamos para fugir dessas brumas que se aproximam, porque queremos apenas viver "na realidade"... Queremos aquela "ilusão" mais segura, que nos deixa usar a razão (oh, outra falésia de conclusões à posteriori)...
Interessante como a mesma sensação de plenitude e beleza intemporal se pode atingir por tantos processos e o ser humano acaba sempre por escolher aquele que lhe vai trazer mais dor. Estou-me a lembrar da Profecia Celestina e dos rituais de iníciação de alguns povos. Ocorre-me Nirvana. Falo de experiências místicas... Uma experiência mistica implica sempre uma despersonalização, um senir que o mundo não existe, eu não existo, tu não existes só o nós, uno, nirvana, orgasmo, o que lhe quiserem chamar. Assim, ninguém se pode realmente conhecer.O Amor é uma destes estados místicos. É uma magia diferente da usada pela razão. É mais poderosa a distorcer aquilo que precisamos acreditar que existe lá fora da nossa mente.
E no entanto, eu estou a usar a razão para escrever este texto. E no entanto, pensar sobre Amor não nos impede de o viver, apenas nos faz substimar as lamechices alheias: "estão SÓ iludidos".
É época de natal e é ver os homens na Baixa, ruborizados ao questionar as empregadas "mas isto dá para vestir com alguma coisa por cima?!" e outros ainda que observam um mulher a experimentar um perfume para depois correrem a comprá-lo para oferecer, criativamente, à respectiva. Mas também há os casalinhos Natalícios... e a propósito disso, alguém disse "tenho pena deles". Temos um problema de mapas agora... Eles dizem "Coitada, não sabe o que é amar!" e ela pensa "coitados, não sabe que estão iludidos!".
Não me estou a contradizer. Acredito no amor. Ele existe. Só que o sinto sempre como uma ilusão e, como tal, efémero! Vulnerável como uma vela acesa em dia de ventania.
E eu que tinha pensado em escrever sobre como estava lindo o mar hoje... Como me pareceu mais forte e doloroso por não o ver há tantos dias... Mas Abri o "Nem Contigo Nem Sem Ti" do José Gameiro e lá veio o tema que é comum a todos os seres humanos, o tema com que trabalho agora, o tema já tão gasto em poemas e canções que o banalizam, mas que são bem vistas pelos amantes (só as reflexões sobre amor e relações é que levam sempre comentários do tipo "estás a tirar a magia a tudo!"! Óptimo, foi o que eu acabei de dizer!).
Acabei a falar de Amor. E vou voltar com certeza a este tema. Talvez porque até gostava de fazer turismo no país das fadas mas sem perder o que há cá fora. Fernando Pessoa diria: "Não se pode comer o bolo sem o perder". Mas eu quero as duas coisas, ou mais se puder ser (aiii como seria fácil e enfadonho a vida fosse feita de dicotomias).
"É a relação humana onde aparece o que de melhor e de pior todos temos."
(José Gameiro)
Sexta-feira, Dezembro 08, 2006
Uma Noite para Comemorar...
Esta é só uma noite para partilhar
qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
um lugar a salvo
Para onde correr
Quando nada bate certo
E se fica a céu aberto
Sem saber o que fazer
Esta é uma noite para comemorar
Qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
um lugar para nós
onde demorar
Quando nada faz sentido
E se fica mais perdido
e se anceia pelo abraço de um amigo
Esta é só uma noite para me vingar
do que a vida foi fazendo sem nos avisar
foi-se acumulando em fotografias
em distâncias e saudades
Numa dor que nunca acaba
e faz transbordar os dias
Esta é uma noite para me lembrar
Que há qualquer coisa infinita como um firmamento
Um sorriso, um abraço
Que transcende o tempo
e ter medo como dantes
de acordar a meio da noite
a precisar de um regaço
Esta é só uma noite para partilhar
Qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
Um lugar a salvo
Para onde correr
Quando nada bate certo
E se fica a céu aberto
Sem saber o que fazer
Esta é uma noite para comemorar
Qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
Um lugar para nós
Onde demorar
Quando nada faz sentido
E se fica mais perdido
e se anceia pelo abraço de um amigo...
[Mafalda Veiga]
Segundo o tão sábio poema do post anterior, não podemos conquistar o Tempo... Mas acho que lhe podemos trocar as voltas de vez em quando... Podemos roubar umas horas às responsabilidades, para um sopro mais demorado que enche as nossas vidas de cor, luz e canções... E no fundo, o Natal é isso mesmo, um pretexto para estarmos com aquelas pessoas que realmente importam, num ambiente diferente dos outros dias do ano. Mas sobre o Natal escreverei mais tarde... Não tenho conseguido enganar o relógio para poder postar textos meus, fico-me pelas músicas e pelos poemas que alguém, com mais inspiração e tempo do que eu, escreveu sobre aquilo que eu sinto.
Esta foi, portanto, uma noite para comemorar... O pretexto era um, mas como sempre, as celebrações ultrapassam sempre o mote. Chovia, o vento virava-nos os chapéus, os pés molhados já doiam, mas aquela vontade, aquela emoção que nos une e que é tão única e genuína, ultrapassou mais uma vez os obstáculos do Tempo (agora o tempo da meteorologia) e permitiu-nos uma noite onde imperou o valor máximo, A Amizade! Porque quando tudo o resto parece ruír, sabemos que existe este "lugar a salvo" para todos nós.
Não deixemos de pregar estas partidas ao Tempo, senão, um dia, sem darmos conta, estaremos a viver de memórias poeirentas do que foi.
Um beijinho a Manéis e Marias...
Ordálias vão continuar na ordem do dia!
Quarta-feira, Novembro 29, 2006

...
'The years shall run like rabbits,
For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world.'
But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
'O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time.
'In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.
'In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
To-morrow or to-day.
(...)
WH Auden
Tenho falado de Tempo e durante o dia veio-me à mente a voz do Jesse a recitar o poema à Celine... Como de costume, fui investigar! Deixo-vos um excerto...


































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